Rio das Flores
 
 

A abertura da região se efetuou com as correntes de faiscadores que utilizavam o Rio Paraíba como via de acesso às Minas Gerais. Registra-se, desse modo, o conhecimento do território de Rio das Flores desde a segunda metade do século XVI.

Os primórdios devassamentos do território do município de Rio das Flores não estão até hoje bem esclarecidos. Autores há que atribuem o seu devassamento às correntes de faiscadores, aventureiros e bandeirantes, que desde o início do século XVI, utilizavam o curso do Rio Paraíba, como ponto de referência para atingir as" Minas Gerais". Segundo consta das notícias sobre o roteiro da expedição chefiada por Martim Corrêa de Sá, ainda em 1597, o Paraíba era utilizado como via de acesso ao território das "Minas" embarcando no Rio de Janeiro, por aquela data, chegou aquele capitão, por mar, a Paraty, acompanhado de 700 portugueses e 200 índios penetrando em São Paulo rumo a Pindamonhangaba, onde atingiu o vale do Rio Paraíba, cujo curso seguiu até chegar à foz do rio Paraibuna. Vemos assim que, desde a abertura desse caminho, na segunda metade do século XVI, as margens do Paraíba, pertencentes hoje ao território de Rio das Flores, já eram conhecidas. Todavia, o que de positivo existe sobre as origens do atual município é que a sua colonização e o seu desbravamento foram motivados pela extraordinária expansão agrícola, que se verificou na província do Rio de Janeiro, durante o século XIX. Quando o "ciclo do café" atingiu, na província, proporções vultosas, trazendo riqueza e abastança para os que cultivam, os demais fazendeiros, seduzidos pelas promissoras perspectivas que lhes apresenta a nova cultura, abandonaram, em determinadas zonas, quase que totalmente suas antigas lavouras, para se dedicarem exclusivamente aos cafezais. A necessidade de aproveitamento de terrenos apropriados a essa cultura motivou o desbravamento de zonas até então inóspitas, processando-se a sua colonização e seu povoamento com notável rapidez. Segundo a maioria dos autores, foi devido a essa ansiosa procura de terras férteis, adaptáveis à cultura do café que se observou o desbravamento e a colonização das terras de Rio das Flores, na primeira metade do século XIX. Foi nesse período, segundo tudo faz crer, que chegaram a esta região os primeiros grupos de colonizadores, dedicando-se desde logo, à cultura do café, cujas plantações, em breve, recobriam vastas extensões até essa época ocupadas pela mataria virgem. A notícia da fertilidade do solo da localidade nascente propalou-se com rapidez, atraindo a atenção dos governantes.
Visando facilitar o progresso e o densamento demográfico da povoação, o governo provincial, em 6 de outubro de 1851, por força da lei que tomava o nº 560, conferiu-lhe a dignidade de possuir uma capela curada, sob a invocação de Santa Tereza, subordinada à freguesia de Nossa Senhora da Glória da Vila de Valença, depois município de Marquês de Valença. Segundo tudo indica, esse procedimento do governo constituiu uma exceção rara, de vez que, normalmente, as povoações fluminenses surgiram com o aparecimento, primeiro, de colonos esparsos que, erguendo uma capela, aí fixavam seu núcleo social e econômico, exigindo posteriormente, com o adensamento populacional, a presença de um cura na localidade que, então, recebia o direito de considerar-se possuidora de uma capela curada.
Chega-se à conclusão de que, em Santa Teresa, atual Rio das Flores, tal não sucedeu, porque o artigo da referida lei nº 560 estabelecia que "os habitantes do novo curato deveriam construir a respectiva capela, em localidade". A lei nº 560 rezava, em seu artigo 1º "Fica criado um curato, sob a invocação de Santa Thereza, no território que outrora formava 2º distrito de paz da freguesia de Nossa Senhora da Glória da Vila de Valença, tendo por limites com a dita freguesia, a estrada do comércio desde o porto do Ubá, no Rio Paraíba, até encontrar a que se dirige à mesma Vila no campo das tábuas; daí a estrada que vai para o Porto do Machado até o lugar que fica fronteira à junção dos rios das Flores e Bonito; e deste ponto os rumos das fazendas das "Coroas", do Marquês de Valença, até à margem do Rio Preto, ficando toda a referida fazenda pertencendo à mencionada freguesia".

Quatro anos mais tarde, essas providências tomadas por governantes da província já se justificavam. Tamanha foi a afluência para essa região, nesse curto espaço de tempo que, novamente, o Governo teve oportunidade de intervir beneficamente na administração da localidade, elevando o curato de Santa Tereza à categoria de freguesia, pela lei providencial nº 814, de 6 de outubro de 1855, que ainda a subordinava a jurisdição da então vila de Valença. A economia de Santa Tereza repousava, por essa época, quase que exclusivamente em suas riquíssimas lavouras de café, nas quais o braço do negro escravizado representou o papel preponderante. Com o advento da abolição, rude golpe para a agricultura da freguesia, os fazendeiros locais viram suas culturas abandonadas, e muitos deles transformaram-nas em pastagens, destinadas às explorações pastoris.

Que foi vagaroso o declínio da economia da localidade prova-nos o fato de que, já no período Republicano, dois anos após à promulgação da Lei Áurea, tenha sido ela emancipada da tutela de Valença, passando a constituir uma unidade autônoma. Essa autonomia lhe foi conferida pelo decreto nº 62, de 17 de março de 1890, localizando-se a sede da nova comuna fluminense na vila de Santa Tereza. A instalação do Município teve lugar no dia 22 de abril de 1890. Persistindo, porém, o êxodo da população da zona rural, suas já então decadentes lavouras, entraram em franco declínio, dificultosamente compensado pelo incremento das atividades pastoris.

A elevação da Vila de Santa Tereza, à categoria de cidade, em virtude da lei estadual nº 2335, de 27 de dezembro de 1929, constituiu notável motivo de júbilo para seus habitantes que, desde anos antes, se vinham batendo por essa melhoria.

Atualmente, sob a nova denominação de Rio das Flores, que lhe foi atribuída pelo decreto estadual nº 1056, de 31 de dezembro de 1943, o antigo Município de Santa Tereza vem tendo suas terras utilizadas na policultura, e com a pecuária, buscando seus habitantes suprir, assim, as lacunas abertas em sua economia, pela derrocada das lavouras de café que se acham em franco declínio, pelos motivos já conhecidos, desde princípios do século corrente.

 
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