Liderança agrícola deve aumentar influência internacional do Brasil
O Brasil deverá aproveitar a posição de liderança na agricultura para aumentar sua influência internacional nos próximos anos, afirmam analistas.De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), até 2050 o mundo deverá dobrar a produção para alimentar uma população de 9 bilhões de pessoas.Com disponibilidade de terras agricultáveis, água em abundância, condições de clima favoráveis, domínio da tecnologia de agricultura tropical e uma agroindústria avançada, o Brasil poderá chegar a 2020 como a principal potência agrícola do mundial.O avanço nessa área acontece em um momento crucial. Desde o ano passado, o tema da segurança alimentar voltou à agenda internacional, com a crise provocada pela alta dos alimentos."Depois de os preços virem caindo desde os anos 70, a partir de 2005 subiram rapidamente. De todos os países do mundo, o Brasil foi o que mais ocupou o espaço aberto por esse aumento de preços e pela possibilidade de aumentar suas exportações", disse à BBC Brasil o representante regional da FAO, José Graziano. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado politicamente o potencial agrícola brasileiro em suas participações em fóruns internacionais.Lula já disse mais de uma vez, durante viagens internacionais, que a crise era "uma grande oportunidade para voltarmos a produzir muito mais alimentos".
Nesta safra, o Brasil deverá colher mais de 135 milhões de toneladas de grãos, o que representa cerca de 6% da produção mundial, estimada em 2,2 bilhões de toneladas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).O país já figura entre os líderes em algumas das principais culturas. É o segundo maior produtor de soja (atrás dos Estados Unidos) e o terceiro de milho (depois de Estados Unidos e China).É destaque ainda em uma gama de produtos, de café e carnes a frutas e etanol.No entanto, diferentemente de outros líderes nesse setor, que já chegaram a seu limite de área e produtividade, o Brasil ainda tem muito a avançar, segundo analistas."O Brasil está perfeitamente habilitado a, nos próximos 10 anos, chegar a 300 milhões de toneladas", diz o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues."A demanda por produtos agrícolas vai crescer bastante nos próximos anos", diz Rodrigues. "E poucos países têm condições de atender a essa demanda como o Brasil."
fonte: http://economia.uol.com.br