Itaú Unibanco tem lucro 11,1% menor no 3º trimestre

Em outubro, resultado foi de R$ 2,268 bilhão; no acumulado do ano até setembro, queda supera 15%

Leandro Modé

Exatamente um ano depois do anúncio da maior fusão da história do País, o Itaú Unibanco divulgou o balanço do terceiro trimestre, que mostrou um lucro 11% menor que o de igual período de 2008. Mesmo assim, os números agradaram a analistas e investidores porque revelaram uma melhora dos índices de rentabilidade e os primeiros efeitos positivos em decorrência da sinergia das operações. A ocasião também serviu para a instituição confirmar que, nas agências, a marca Itaú prevalecerá sobre a Unibanco (ler mais ao lado).
O lucro líquido somou R$ 2,268 bilhões entre julho e setembro, 11,1% inferior ao do mesmo trimestre do ano passado. Considerando o acumulado de 2009 (janeiro a setembro), os ganhos alcançaram R$ 6,854 bilhões, o que significou queda de 15,7% ante igual período de 2008. Os ativos totais atingiram R$ 612,4 bilhões, dando à instituição a liderança do setor na América Latina (considerando apenas os bancos privados, pois o Banco do Brasil, que divulga seu balanço no dia 12, deverá mostrar ativos maiores).
As ações do Itaú Unibanco subiram 5,3% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Com o desempenho dos papéis ontem, o banco brasileiro diminuiu bastante a diferença em relação às instituições financeiras de maior valor de mercado das Américas. Segundo a empresa de informações financeiras Economática, o Itaú Unibanco valia US$ 78,35 bilhões na sexta-feira, o que o deixava na 6ª posição entre 25 bancos.
Incluindo a valorização de ontem das ações e alta do real ante o dólar, esse valor ficou próximo de US$ 83 bilhões. Com isso, o Itaú Unibanco ficou perto de tomar o 5º lugar do Goldman Sachs, que valia US$ 87,3 bilhões.
O analista de instituições financeiras do Banco Fator, Fernando Salazar, ressaltou dois pontos favoráveis no balanço do Itaú Unibanco. O primeiro deles é a queda das despesas administrativas e com pessoal - de R$ 5,252 bilhões no segundo trimestre deste ano para R$ 5,149 bilhões no terceiro. "Os ganhos de sinergia já começaram a aparecer", comentou.
Ele também destacou que a rentabilidade sobre o patrimônio líquido melhorou no mesmo intervalo - saiu de 22,8% para 24,3%. Salazar atribuiu o avanço à queda das despesas e à margem financeira maior - que, por sua vez, se explicou principalmente pelos ganhos do banco com operações de tesouraria (aplicações da própria instituição em títulos públicos e outros ativos).
Em relatório, os analistas da Ativa Corretora também elogiaram a melhora da rentabilidade. "O Itaú Unibanco conseguiu apresentar uma evolução positiva da sua margem financeira, o que, aliado à redução das despesas, fez com que o banco conseguisse esboçar uma evolução expressiva de lucro líquido e rentabilidade na comparação trimestral", escreveram. Os especialistas também chamaram a atenção para o aumento da carteira de crédito - 5,5% na comparação janeiro-setembro de 2009 com igual período de 2008 e 1% considerando o terceiro trimestre ante o segundo. O relatório da Ativa frisa que a valorização do real diminuiu a carteira de empréstimos em dólar. Sem esse efeito, o Itaú Unibanco aumentou o crédito em 10,1% e 3,2%, respectivamente. "É mais do que a média dos bancos públicos, mas menos do que o sistema como um todo", observaram.
A respeito de crédito, o diretor de Controladoria do Itaú Unibanco, Silvio de Carvalho, informou que a expectativa para 2009 é de um crescimento total da carteira de 12% (dentro, portanto, das projeções anteriores, que iam de 10% a 15%). Para o ano que vem, a expectativa é de uma alta de 20% a 25%.
Carvalho reconheceu que, para chegar aos 12% neste ano, o banco terá de acelerar as concessões no último trimestre - visto que, até setembro, a expansão acumulada é de 5,5%. Os segmentos que, segundo ele, vão puxar os empréstimos são pessoas físicas, pequenas e médias empresas, além da área imobiliária (pessoas físicas e construtoras).
Carvalho também confirmou o que os bancos brasileiros já esperavam: a inadimplência deu sinais de estabilização no terceiro trimestre e, no ano que vem, deve voltar aos níveis em que se encontrava antes da crise. No Itaú Unibanco, a inadimplência total até 60 dias encerrou o terceiro trimestre em 7% (ante 6,7% em junho). Até 90 dias, o indicador subiu de 5,4% para 5,9%.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091104/not_imp460753,0.php