Recalls da Toyota já chegam a mais de 8,5 milhões de automóveis

Ontem, empresa anunciou que 400 mil automóveis híbridos serão chamados para reparos no freio

Gustavo Chacra, correspondente em Nova York

A Toyota anunciou ontem recall de mais 400 mil veículos, sendo a maioria do modelo Prius, conhecido pela eficiência no consumo de combustível e por provocar menos danos ao meio ambiente. Não está descartada ainda a possibilidade de o Corolla - carro mais vendido no mundo - também ser recolhido para a correção de novos defeitos, em mais um episódio da crise enfrentada pela companhia japonesa, que, até algumas semanas atrás, era sinônimo de segurança e credibilidade.
Em busca de amenizar as críticas, o presidente da empresa, Akio Toyoda, mais uma vez pediu desculpas pelos problemas apresentados nos veículos fabricados pelo grupo fundado por seu avô. Com o recall de ontem, já passa de 8,5 milhões o número de veículos da montadora que têm de passar por reparos nos últimos meses. Pelo menos 19 pessoas morreram em acidentes com carros Toyota.
A determinação para o recall do Prius ocorreu depois de reclamações do freio do modelo 2010 - os anteriores não enfrentam esse problema. Os carros fabricados a partir do fim de janeiro tiveram o defeito corrigido. São necessários apenas 40 minutos para arrumar o problema e o site da Toyota informa que muitas mecânicas autorizadas funcionarão 24 horas, sete dias por semana, para fazer os reparos. Porém, a data para o início do recall foi definida apenas como "o mais cedo possível", no território americano, e quarta-feira, no Japão.
Nos EUA, serão 133 mil Prius e 14,5 mil do modelo Lexus HS250h, também híbrido. Além disso, foi anunciado ontem o recolhimento de 7,3 mil Camrys, modelo 2010, para arrumar uma mangueira no motor que possui um tamanho maior do que o ideal. O Prius é uma das principais apostas da Toyota, que vinha dominando o mercado americano, enquanto as suas concorrentes General Motors e Chrysler chegaram a entrar em concordata no ano passado.
Mais vendido no Japão, o novo Prius se diferencia dos anteriores por ser maior, mais potente e econômico. Segundo analistas, a combinação pode ser perfeita para o mercado dos EUA. Agora, as rivais americanas, que por anos foram acusadas de não acompanhar o avanço da japonesa, tentam reconquistar clientes oferecendo incentivos na troca de carros da Toyota pelos de suas marcas.
Em Tóquio, o presidente da Toyota deu outra entrevista se desculpando pelos problemas. "Peço desculpas pela preocupação e a inconveniência que causamos aos nossos clientes. Vamos redobrar o nosso compromisso com a qualidade. Juntos, faremos de tudo para reconquistar a confiança dos nossos clientes", disse Toyoda. O presidente da empresa acrescentou ainda que a Toyota "não é perfeita e tampouco infalível". "Quando descobrimos um defeito, trabalharemos para arrumá-lo e para melhorar nossos carros", acrescentou.
O modelo 2010 do Prius possui um sistema regenerativo de freios, com a energia das rodas sendo usada para recarregar a bateria do carro. Mas essa tecnologia, assim como a do acelerador, acabou produzindo efeitos colaterais nos veículos da Toyota. No caso dos freios, o defeito é perceptível em pisos congelados, onde os carros deslizam mais.
"Os freios falham por momento muito rápido. Mas, se você apertar firme o pedal, os freios funcionarão sem falhas", afirmou Toyoda em entrevista coletiva que durou quase duas horas na capital japonesa.
Em Washington, o Congresso dos EUA decidiu adiar para o dia 24 de fevereiro a audiência do presidente da Toyota na América do Norte, Yoshimi Inaba. Os primeiros problemas em carros da Toyota começaram a aparecer em 2004, segundo a Administração Nacional de Segurança no Trânsito nas Estradas (NHTSA, na sigla em inglês). A entidade está investigando todos os modelos da empresa japonesa e os casos que envolveram mortes.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100210/not_imp508946,0.php