Uso de software ilegal cai, mas perdas aumentam
A participação dos programas ilegais no mercado brasileiro de software caiu dois pontos percentuais em 2009, segundo estudo da Business Software Alliance (BSA), órgão que reúne companhias do setor. Trata-se do quinto ano consecutivo de queda no uso de software pirata, que agora representa 56% do mercado. No acumulado do período, a participação desse tipo de produto caiu oito pontos percentuais.
Frank Caramuru, diretor-geral da BSA, reconhece que o número ainda é alto, mas destaca que o quadro do combate à pirataria no Brasil é bastante positivo. O país está à frente da Índia, Rússia e China, que têm taxas de pirataria de 65%, 67% e 79%, respectivamente. Entre os países da América Latina, o Brasil tem o segundo menor índice, perdendo apenas para a Colômbia, com 55% de pirataria.
O uso de software ilegal no Brasil vem caindo desde 2005. Naquela época, os programas piratas representavam 64% do mercado. No ano seguinte, a participação diminuiu para 60%, caindo para 59% em 2007, 58% em 2008 e 56% no ano passado.
O movimento está ligado às campanhas de combate à pirataria, à oferta de software a preços mais baixos e à queda no mercado cinza de computadores - o nome dado aos segmento de máquinas que usam componentes contrabandeados e software ilegal.
Com o crescimento da base de usuários, entretanto, as perdas da indústria de software triplicaram nos últimos cinco anos. O volume estimado pela BSA no país saltou de US$ 766 milhões em 2005 para US$ 2,25 bilhões em 2009. O Brasil é hoje o quinto país do mundo que mais sofre com a pirataria. A liderança do ranking é ocupada pelos Estados Unidos, com perdas de US$ 8,4 bilhões em 2009. O país tem, entretanto, o menor índice de pirataria do mundo: 20%.
Em termos globais, o uso de software pirata apresentou um aumento de dois pontos percentuais em 2009, chegando a 43%. As perdas das empresas, no entanto, tiveram um recuo de 3%, caindo para US$ 51,4 bilhões. Descontada a variação cambial, o valor permaneceu constante na comparação com o ano passado.
Segundo Caramuru, a expectativa era de que o volume fosse muito maior, por conta da crise econômica e da retração nos investimentos em tecnologia feitos pelas empresas. "Os consumidores acabaram gastando mais com software. E como a tendência a de usar produtos ilegais é maior entre eles, esperava-se que o índice de pirataria subisse muito. Isso não aconteceu", diz o executivo.
Durante a crise, a pirataria caiu em 54 países e aumentou em 19. Segundo a consultoria IDC, que realiza a pesquisa para a BSA, a taxa de pirataria pode começar a diminuir de maneira sustentada a partir do ano que vem. Isso significa uma revisão das projeções feitas em 2009. Na época, a expectativa era de que a a taxa de pirataria global em PCs ainda teria um ano ou dois de crescimento antes de atingir o pico e começar a cair.
A redução das taxas de pirataria, observa a BSA, tem um impacto cada vez mais relevante na economia dos países. Entre 2003 e 2008, a IDC estima que a Rússia tenha criado nove mil vagas no mercado de tecnologia da informação por conta de uma redução de 10 pontos percentuais no índice de utilização dos programas ilegais. Na China, o volume estimado de novos empregos foi de 220 mil.
Para o Brasil, a IDC estima que a mesma queda de 10 pontos percentuais entre 2008 e 2012 possa significar 11,5 mil novos empregos diretos na área de TI, além de um aumento de US$ 390 milhões na arrecadação de impostos e a injeção de US$ 2,9 bilhões na economia brasileira.
Em 2009, a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) realizou 662 operações de busca em todo o país, que resultaram na apreensão de 1,12 milhão de CDs piratas. A Abes também fez diversas ações no mundo virtual. Ao todo, foram retirados do ar mais de 313 sites destinados à venda de produtos ilegais, além de 19,3 mil anúncios.
Fonte: Valor Econômico