Brasil fica em 64°no ranking de competitividade com 134 países

RIO - O Brasil ficou na 64ª posição no ranking de competitividade com 134 países, de acordo com Relatório de Competitividade do Brasil 2008/2009 elaborado pelo Fórum Econômico Mundial e a Fundação Dom Cabral. "O Brasil está em processo de melhora", disse o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, um dos autores do trabalho com sua colega Marina Araújo e os diretores do Fórum para América Latina, Emilio Lozoya, e economista-chefe, Irene Mia. De acordo com Arruda, como a base de países do ranking mudou, é como se o Brasil estivesse passando da posição de número 67 no relatório de 2007 e 2008 para a 59ª posição. Na edição de 2005/2006, porém, a posição do Brasil era a 50ª.
O trabalho mostra como principais fatores positivos do País o tamanho de mercado (10º entre os países listados); a sofisticação dos negócios (35º no ranking específico deste item) e a inovação (43º). Um dos autores do trabalho, o professor da Fundação Dom Cabral Carlos Arruda, comentou que no caso da inovação "há mais intenção que realidade" e destacou o bom ambiente empresarial.O diretor da McKinsey & Company do Brasil Nicola Calicchio, a convite do Fórum e da Fundação Dom Cabral, citou que o Brasil fica na 30ª posição na média de classificação do País em 10 itens pesquisados no ranking pelo qual o ambiente empresarial é o principal responsável. Já em 10 tópicos em que o governo é o principal responsável, a posição do Brasil cai para 121.
Entre os fatores negativos, o relatório mostra a estabilidade macroeconômica com a colocação do Brasil em 122º lugar, seguido pela eficiência do comércio de bens, com o 101º lugar. Arruda disse em relação ao comércio que o Brasil ainda é um País muito fechado para importações, mas completou que é por isso mesmo que algumas das principais empresas mundiais se instalaram no Brasil, o que ajudou à sofisticação dos negócios que aparece como ponto positivo. No entanto, os autores do estudo destacaram no sumário executivo do relatório e na apresentação do trabalho a infraestrutura (item que tem o Brasil no 78º lugar) e as instituições (91º lugar) e não focaram na questão macroeconômica. "Se o Brasil melhorasse infraestrutura e instituições subiria para entre os 40", disse Arruda ao apresentar o estudo, também sem maiores referências à macroeconomia. O professor da Dom Cabral, Paulo Resende, convidado a comentar a parte de infraestrutura no lançamento do trabalho, considera que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal é insuficiente para as necessidades de investimento em infraestrutura no Brasil. "O PAC deveria ter outro nome porque não acelera, apenas recupera", disse Resende. De acordo com ele, o PAC prevê investimentos de R$ 5,6 bilhões para distribuição de energia, quando a necessidade no mesmo período seria de R$ 10 bilhões. Para rodovias, o PAC teria R$ 14 bilhões e as necessidades seriam de R$ 25 bilhões. No caso dos portos, os recursos no programa são de R$ 5 bilhões, mas o País precisa do triplo, segundo tabela exibida por Resende. Para ferrovias, hidrovias e transporte aéreo, o PAC conta com R$ 12 bilhões e as necessidades são de pouco mais de o dobro disso. Apenas na área de geração de energia, o PAC tem recursos previstos, de R$ 28,7 bilhões, maiores do que os estimados como necessários, de R$ 20 bilhões.
A secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, e ex-secretária executiva do então Ministério da Administração no Governo Fernando Henrique Cardoso, foi convidada a expor sobre a questão das instituições na apresentação do trabalho. Ela mostrou tabela da pesquisa em que o País aparece nas últimas colocações em rankings como os de confiança pública nos políticos (122) e diversidade de fundos públicos (118). Por outro lado, também mostrou bom posicionamento relativo em rankings de eficácia dos conselhos corporativos (46) e proteção de acionistas minoritários (42). De acordo com Cláudia, leis muito rígidas e detalhadas não derrotaram a corrupção e enrijeceram a administração pública. "Basta ler os jornais para a gente ver que há várias denúncias de desvios de recursos públicos", afirmou, para em seguida enaltecer a liberdade de imprensa e o fato de as denúncias serem publicadas como ponto positivo.

fonte: http://www.estadao.com.br/economia