Economista americano crê que PIB do Brasil não crescerá em 2009
SÃO PAULO - O processo de recuperação da economia brasileira passa, inevitavelmente, pela retomada do caminho do crescimento nos países desenvolvidos. O economista Albert Fishlow, professor da Universidade de Columbia (EUA), acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode ter crescimento zero neste ano, mas isso depende da melhora do cenário internacional. A estimativa pode ser considerada "positiva" tendo em vista outras projeções de retração para este ano - sobretudo se considerada a queda de 4,5% prevista pelo Morgan Stanley para o PIB do Brasil. O economista ressalva, no entanto, que conseguir ficar no crescimento zero depende de as economias desenvolvidas, especialmente Estados Unidos, União Europeia e Japão, continuarem aumentando gastos para elevar a demanda e criar condições para a recuperação da economia global."Temos apenas um mundo e não dois mundos (o de desenvolvidos e de países em desenvolvimento). Não se pode dizer que é possível um se desenvolver sem o outro", disse o professor hoje em São Paulo após chegar de Nova York para participar, na quinta-feira, do 3º Seminário Internacional de Renda Fixa, promovido pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima) e a CETIP.
Com a queda de preços de commodities alimentares e energéticas, além do aço, grandes países em desenvolvimento também estão tendo a economia afetada, ao contrário do que se previa quando a crise internacional se agravou e muitos líderes imaginavam que as economias emergentes poderiam não só sair inteiras das turbulência, mas também serem a base para a recuperação dos desenvolvidos."A fonte da crise é a globalização e a saída também está na globalização" diz. Segundo o economista, além de desembolsar mais recursos para sustentar a demanda, é necessário manter abertos os mercados para o fluxo de comércio, evitando posições protecionistas que já foram bastante prejudiciais na crise da década de 30.
O cenário ideal de recuperação, do ponto de vista de Fishlow, também exclui novas turbulências no sistema financeiro internacional, como a quebradeira do setor bancário americano observado entre setembro e outubro do ano passado.Com esse processo de recuperação consolidado ao longo do tempo, Fishlow avalia que já em 2010 seria possível para o Brasil ter crescimento entre 3,5% e 4%. Ele acredita, ainda, que não restam mais dúvidas sobre a necessidade de continuar o ciclo de redução do juro básico, que deve fechar o ano, segundo ele, em 8,5%. "Acho que a taxa de juro no Brasil era de fato alta", disse, reforçando que o tempo que o BC levou para iniciar esse processo "não foi a esperada", mas que está de acordo com a "linha de reduções mais rápidas" adotada pela autoridade monetária desde janeiro.Apesar do senão sobre o "timing" do BC, o economista teceu muitos elogios à atuação da autoridade monetária nos últimos anos, especialmente ao acúmulo de reservas internacionais. "Tem muita gente no Brasil que gosta de criticar o Banco Central, que sempre representa o diabo na história, mas o fato é que se não fossem os US$ 200 bilhões de reservas conseguidos pelo BC, a situação do Brasil hoje poderia estar muito pior", avaliou.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/economia