Para analista, gasto público trava PIB
O Brasil não conseguirá manter seu atual ritmo de crescimento de 7% ao ano se não cortar gastos públicos e aumentar a poupança interna. Essa conclusão faz parte de estudo divulgado ontem no XXII Fórum Nacional, que acontece no BNDES, pelo ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore. Segundo Pastore, o atual ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) pode levar a uma alta de preços.
Você pode crescer 7% se tem capacidade ociosa. Só que os níveis de capacidade estão se esgotando. Se o país continuar crescendo 7% daqui para frente, é procurar encrenca com a inflação disse Pastore, acrescentando que esperava um corte de gastos pelo governo bem maior do que os R$ 10 bilhões anunciados na semana passada.
Pelas contas do economista, se os gastos públicos pararem de crescer, a expansão do país recuaria para 5% ao ano, trazendo o crescimento para perto do potencial. No estudo, Pastore afirma que o país não tem condições de crescer mais de 4,5% ao ano, sem gerar altos déficits em suas contas externas.
Para crescermos mais de 4,5%, a taxa de investimento precisaria subir para 25% do PIB. Teoricamente pode acontecer, mas na prática é mais complicado. Vai gerar um déficit alto e possivelmente não sustentável.
O economista disse que, no Brasil, a poupança doméstica cai quando o investimento cresce, num comportamento diferente de outros países. Ou o país cresce 4,5% ou tem que subir a poupança doméstica, cortando gasto.
O especialista em contas públicas Raul Velloso tem a mesma opinião, lembrando o déficit da Previdência Social, como um dos agravantes desse freio ao crescimento.
Com o investimento sustentado também por importações, o saldo comercial brasileiro tem baixado. Para o ministro interino do Desenvolvimento, Welber Barral, o real apreciado tira competitividade dos produtos brasileiros: A competição por preço é bastante acirrada. Uma diferença de 5% a 10% pode eliminar um destino para o país.
Fonte: O Globo