Feriados equilibram queda na atividade econômica

A queda na atividade produtiva, diante da desacelaração da economia brasileira e mundial, terá como contrapeso o maior número de feriados oficiais este ano. O ano passado foram 6 feriados, em 2009 serão 10, podendo chegar a 13 se for incluído os não oficiais, por exemplo, como o Dia da Consciência Negra. O brasileiro produzirá menos ao mesmo tempo em que a economia estará retraindo suas atividades nos setores de bens consumo duráveis (carros, eletrodomésticos), na construção civil, no turismo e na venda de imóveis. É a tal lei da compensação, que de maneira sábia propiciará uma reciclagem na qualidade de vida dos empregados, melhorando o ânimo em trabalhar bem e melhor na volta de cada folga. Para empresas em que a atividade econômica estará aquecida, como o setor de alimentação, a receita é planejar reposições de hora em dias normais. As ponderações são do professor de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFP), Luciano Nakabashi. O detalhe é que a maioria das folgas acontece no início da semana e boa parte quinta ou sexta-feira. Dos dez dias de feriado, pode-se somar mais outros nove, para quem resolver emendar na folga. Somando dias como Carnaval e folgas até nos sábados, o brasileiro pode ter até 261 dias úteis, dos 365 dias do ano. Considerando o Produto Interno Bruto (PIB) de 2008, da ordem de R$ 2,74 trilhões, o país deixará de produzir R$ 9,14 bilhões por dia nos feriados. Embora seja uma projeção, o número será amortizado por efeitos benéficos na economia. Segundo Nakabashi, é errado pensar que a folga represente somente queda na produtividade ou no PIB brasileiro. ''Quando o empregado retorna da praia, da visita aos pais, por exemplo, ele volta com ânimo para produzir mais e melhor'', pondera. O estudioso orienta as empresas que necessitam manter seu nível de produção o ano todo, a estabelecer com seus funcionários um calendário de reposição destas horas. ''Meia hora de reposição por dia, por exemplo'', observa. O economista ressalva que a crise internacional não atingiu em cheio a economia brasileira porque o sistema bancário é estável e há equilíbrio na balança comercial brasileira. ''Nossos fundamentos econômicos estão equilibrados'', destaca, ao explicar que o país crescerá, porém em menor velocidade do que em anos anteriores. ''Daí os feriados acontecerem em boa hora'', avalia. Além do setor de alimentação, o economista prevê que os serviços básicos como telefonia, energia elétrica e saneamento estarão aquecidos o ano todo. ''Acredito que a atividade vai beneficiar nossa economia ao invés de prejudicar'', conclui.

Fonte: http://www.classecontabil.com.br