Arrecadação recorde, sem crise; desaceleração é iminente, apostam.
Receita já espera queda no recolhimento de impostos em 2009
A crise financeira ainda não repercutiu na arrecadação federal - que registrou mais um recorde em setembro, de R$ 55,663 bilhões. Porém, o Fisco já está preocupado com o último trimestre e, sobretudo, com 2009. O secretário-adjunto da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, reconheceu ontem que, mesmo considerando que o País esteja "artilhado" (com munição), a desaceleração econômica que se seguirá à turbulência atual poderá atingir em cheio o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das empresas.
Juntos, estes tributos respondem por 47,79% do aumento da arrecadação neste ano. Segundo ele, o efeito da crise começará a ser sentido entre outubro e dezembro. No mês passado, ao comentar o resultado do Fisco em agosto, Cartaxo mantinha a previsão de evolução de 10% na arrecadação. Ontem, afirmou que ficará entre 8% e 10%.
"Algumas projeções apostam para um decréscimo. Eu aposto que a arrecadação irá se manter neste intervalo de 8% a 10%", disse.
Questionado pelos jornalistas presentes na divulgação dos dados, o secretário-adjunto baixou o tom:
"Alguns analistas independentes afirmam que o crescimento da arrecadação ficará entre 8% e 9%, mas nós mantemos nossa previsão de um crescimento entre 9% e 10%".
No mês passado, houve alta de 8,06% na arrecadação de impostos e contribuições. De janeiro a setembro, entraram no caixa federal R$ 508,813 bilhões (corrigidos pelo IPCA), 10,08% (R,587 bilhões) mais do que no mesmo período de 2007. O resultado deste ano é recorde para o período.
Cartaxo diz que a defasagem entre o impacto da crise na economia real e a arrecadação é de até quatro meses.
Até o momento, no ano, apenas o recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física (IR) sobre ganhos líquidos em operações em bolsa caiu por conta da turbulência. Este ano, soma R$ 736 milhões, 20,93% menos que no mesmo período de 2007. Só em setembro, sobre o mesmo mês de 2007, o recolhimento de R$ 54 milhões é 25,6% menor.
O destaque positivo no mês foi o IOF, com aumento de 136,74% (para R$ 1,807 bilhão na base anual). A alíquota foi elevada no início do ano para compensar o fim da CPMF. (Fonte: O Globo)
Fonte: http://diap.ps5.com.br/content,0,1,83839,0,0.html