Nova safra de balanços promete mais lucros
Bancos: Bradesco abre temporada e divulga resultados amanhã. O segundo banco a anunciar as contas será o Santander
Por Aline Lima, de São Paulo
27/07/2010
A nova safra de balanços dos bancos, que tem início amanhã e se estende até meados de agosto, promete resultados "ligeiramente" superiores aos verificados no início do ano. Analistas de ações ouvidos pelo Valor esperam crescimento de até 7% nos lucros do segundo trimestre em comparação com os números apresentados em março. A tendência de expansão das carteiras de crédito permanece, assim como, na direção oposta, as despesas com provisão para devedores devem continuar caindo. A recuperação dos spreads pode ainda contribuir para uma melhora da margem financeira das instituições.
O Bradesco abre a temporada e anuncia seus resultados amanhã, antes da abertura do pregão. A expectativa é que o lucro venha em linha com o resultado do primeiro trimestre, quando atingiu R$ 2,15 bilhões. "Se repetir a performance já estará ótimo, pois foi um excelente resultado", observa João Augusto Salles, analista da consultoria Lopes Filho. Wagner Salaverry, da corretora Geração Futuro, espera um aumento de 2% no lucro do Bradesco, para R$ 2,19 bilhões. Assim como nos demais bancos, a ampliação do volume de crédito deve vir acompanhada de melhora da qualidade da carteira. "A tendência é que o repique no índice de inadimplência apareça mais no fim do ano", diz Salles, da Lopes Filho.
O Santander está no foco da atenção de boa parte dos analistas. O banco de capital espanhol divulga o resultado do segundo trimestre na quinta-feira. O tímido desempenho exibido entre janeiro e março só fez aumentar as expectativas por uma reação. "É hora de começar a entregar o que foi prometido na abertura de capital", diz Laura Lyra, analista da corretora Ativa. Laura projeta um lucro líquido de R$ 1,78 bilhão para o Santander, alta de 1% em relação a março. João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho, se mostra um pouco mais otimista e prevê crescimento de 5%.
Um dos pontos do balanço do Santander a ser observado com lupa é o comportamento dos empréstimos para pequenas e médias empresas. O segmento apresentou queda de 2% das concessões no primeiro trimestre, enquanto a concorrência ganhou mercado. "A área passou por reestruturação no Santander e é possível que os primeiros resultados já sejam computados no resultado do segundo trimestre", afirma Laura. A analista projeta um crescimento de 5% do saldo da carteira, para R$ 147,6 bilhões.
Mas, se os negócios do Santander têm evoluído menos do que os de seus pares, por outro lado o banco tem mostrado bastante eficiência na captura de sinergias decorrentes da fusão com o ABN Amro Real. São estimados ganhos de R$ 2,4 bilhões até 2011, fator considerado fundamental para que o banco atinja um nível de rentabilidade equivalente ao do setor.
No quesito despesas administrativas e de pessoal, o Banco do Brasil, que anuncia o balanço do segundo trimestre em 12 de agosto, deve ser exceção à regra. Como se trata de uma estatal, a tarefa de cortar custos operacionais fica bem mais difícil. Como a instituição acelerou bastante a concessão de crédito ao longo de 2009, num período em que o resto do mercado colocava o pé no freio, a meta de expandir a carteira também se torna mais árdua, já que ela se dá em cima de uma base elevada. Salles, da Lopes Filho, prevê um aumento de 3% no lucro em relação aos R$ 2,41 bilhões apurados no primeiro trimestre.
Segundo o consenso de mercado, o Itaú Unibanco, mais uma vez, deve exibir o maior lucro do setor, em torno de R$ 3,5 bilhões. Fernando Salazar, da Fator Corretora, calcula uma expansão da carteira de crédito de 4,8% em relação ao primeiro trimestre. Além disso, é esperada uma pequena redução das despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa. Salles, da Lopes Filho, lembra ainda que a elevação da taxa de juro pode ter um efeito ainda mais favorável para o Itaú, tradicionalmente ativo em operações de tesouraria.
Do grupo de bancos médios, muitos analistas chamam atenção para a recuperação do Banrisul, após um resultado aquém do esperado no trimestre anterior.
Fonte: Valor Econômico