'A concorrência se encarrega de ajustar o mercado'

Skaf diz que enviou 50 mil cartas a empresários recomendando o repasse da CPMF aos preços, mas não sabe se foi atendido

Marcelo Rehder

Defensor da extinção da CPMF, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, diz que a decisão de tirar dos preços ao consumidor o custo do tributo depende da estratégia de cada empresa. Skaf enviou logo depois da queda da CMPF, correspondência a 50 mil empresas sugerindo o repasse do benefício ao consumidor, mas não acha possível avaliar em que medida a sugestão foi acatada.

A indústria não cumpriu a promessa de repassar o fim da CPMF aos preços?

A partir de 2 de janeiro, todos os serviços que são cobrados em nossas entidades, como Sesi e Senai de São Paulo e Instituto Roberto Simonsen, foram reduzidos em 0,38%. Enviei 50 mil cartas a todas as cadeias produtivas recomendando o repasse aos preços. Essa foi a nossa participação e os limites do que poderíamos fazer. O que deve ter ocorrido é que algumas empresas devem ter procedido dessa forma, outros talvez não. Fizemos tudo o que estava dentro do nosso limite, a começar dando o exemplo dentro de casa.

Por que uma empresa não repassaria o benefício ao consumidor?

O que eu posso dizer que é existem certos aspectos que devem ser levados em conta. Pega o exemplo do pãozinho, em que a CPMF era paga tanto no plantio quanto no trigo, na farinha de trigo e no produto final. O impacto era de cerca de 1,5% no preço final. Em compensação, no mesmo período houve um tremendo aumento no preço do trigo, no Brasil e no mundo. Ao receber a recomendação para expurgar a CPMF, o setor de padarias esteve aqui justificando que, de um lado, teve essa desoneração, mas, de outro, estava tendo, uma elevação do preço do trigo. O trigo que importamos da Argentina no início de 2007 estava em US$ 150 a tonelada, no final do ano, US$ 380. O fim da CPMF ajudou a não haver aumento maior no preço do pão.

E quem não repassou para recuperar margens?

Dentro do regime de concorrência em que vivemos, obviamente quando se tem uma desoneração ela é repassada de alguma forma ao consumidor. Se não é no primeiro momento, porque pode haver ainda um estoque com o custo anterior, será no momento seguinte.

A Fiesp vai reforçar a orientação?

Não, agora nós vamos entrar forte na reforma tributária.

A Fiesp tem propostas de emenda ao projeto do governo?

Temos muitas. Vamos sugerir, por exemplo, a criação de um gatilho automático, em que qualquer aumento de arrecadação seja automaticamente repassado à sociedade, por meio de redução dos impostos ou do método que for discutido.


Fonte: http://www.fenacon.org.br/pressclipping/2008/fevereiro/estadao/estadao220208a.htm