Bovespa amplia perdas e recua quase 3%
da Folha Online

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ampliou perdas no início da tarde de hoje e opera com perdas de quase 3%, puxadas para baixo pelo mau desempenho das ações mais negociadas (Petrobras e Vale) e pelas quedas nas Bolsas americanas.
O Ibovespa --principal indicador da Bolsa paulista-- operava em baixa de 2,81%, aos 60.189 pontos, por volta das 14h. O giro financeiro é de R$ 3,59 bilhões, com cerca de 122 mil negócios realizados.
Já o dólar comercial recuperou o patamar dos R$ 1,70 e está com alta de 0,94%, vendida a R$ 1,706.
O risco de desaceleração econômica mundial ainda traz uma queda do preço das commodities --o que empurra para baixo consigo o preço de ações de petrolíferas e mineradoras. Com isso, as ações da Petrobras e Vale do Rio Doce são atingidas.
A ação preferencial da Petrobras, a mais negociada hoje na Bovespa, recua 4,2%. Já as preferenciais classe A para a Vale, a segunda mais negociada, perde 4,38%.
As Bolsas americanas estão em baixa, mas em um ritmo menor do que no Brasil. O índice Dow Jones recua 0,73%, enquanto que o tecnológico Nasdaq Composite perde 0,68%.
O que diferencia essencialmente o desempenho da Bolsa brasileira e das americanas é o início da negociação das ações da Visa --que teve o maior IPO (oferta inicial de ações) da história dos Estados Unidos. A ação da operadora de cartão de crédito sobe 34,5%.
O mau humor que ataca as Bolsas mundiais está relacionado, novamente, à crise do crédito imobiliário de alto risco ("subprime") americano.
O Office of Federal Housing Enterprise Oversight (entidade que regula o setor hipotecário americano) anunciou que irá reduzir a reserva de recursos --como o depósito compulsório dos bancos brasileiros-- das securitizadoras de crédito Fannie Mae e Freddie Mac de 30% para 20% do total de ativos que administram.
Com a medida, as duas empresas terão capacidade de absorver mais US$ 200 bilhões de créditos hipotecários, em especial os "subprime". A princípio a medida é positiva, já que traz liquidez ao mercado de crédito hipotecário, que está bastante debilitado. Porém, também pode ser apenas um alívio passageiro caso a crise não se resolva. Se essa hipótese vingar, as duas securitizadoras estariam em uma situação financeira ainda mais delicada, pois suas reservas compulsórias estariam menores.
Por outro lado, o resultado acima do esperado do Morgan Stanley trouxe algum alento à crise do "subprime". O banco de investimentos reportou redução de 42% no lucro líquido no primeiro trimestre fiscal de 2008, encerrado em fevereiro. Porém, o resultado veio acima do esperado: US$ 1,53 bilhão, ou US$ 1,45 por ação, contra expectativa de US$ 1,03 por ação.
Depois do Bear Stearns quase falir --o que não ocorreu porque o banco foi comprado pelo JP Morgan--, o mercado procura novos possíveis alvos de uma quebra. Neste caso se encontram o inglês HBOS, atingido pelo boato de que pediu um empréstimo emergencial ao Banco da Inglaterra, e a financiadora hipotecária americana Thornbrug Mortgage. A última apresenta perda de 43,9% hoje.

 

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u383755.shtml