Cartões
de incentivo chegam ao conselho
Alessandro Cristo, de São Paulo
O Conselho de Contribuintes da Receita Federal do Brasil julgou, pela primeira
vez, recursos administrativos impetrados por empresas autuadas pela Previdência
Social por utilizarem cartões de premiação para o pagamento
de benefícios aos seus funcionários. A instância administrativa
para a discussão de tributos negou dois recursos da empresa Farma Service
Distribuidora e manteve as autuações feitas à empresa pela
extinta Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), sob o argumento de
que a Farma não teria recolhido encargos previdenciários incidentes
sobre verbas pagas a prestadores de serviço por meio de cartões
de premiação, fornecidos por empresas de marketing de incentivo.
A questão é discutida há mais de um ano entre a Previdência
Social e os contribuintes que usam agências de marketing de incentivo
para pagar benefícios a funcionários e prestadores de serviço.
As agências repassam os valores por meio de cartões de premiação
- recarregáveis e pré-pagos, com um crédito a ser utilizado
que permite compras da mesma forma que um débito automático, mediante
a digitação de uma senha, e até mesmo saques.
O problema é a Previdência Social entende que estes valores são
verbas salariais, e portanto, sobre eles devem incidir encargos sociais como
as contribuições previdenciárias. Em função
disto, em meados de 2005 mais de 1,4 mil empresas que pagam ou já pagaram
bônus e remunerações a seus trabalhadores por meio de cartões
de premiação tornaram-se alvos de investigações
da Receita Federal, do Ministério da Previdência e do Ministério
Público Federal (MPF) por suspeitas de sonegação de impostos
e contribuições previdenciárias, em uma operação
denominada "Premium Card" - nome do cartão de premiação
oferecido pela Incentive House, empresa do grupo Accor.
Para o advogado Fábio Medeiros, do escritório Machado Associados,
as decisões do Conselho de Contribuintes revelam as tendências
do órgão sobre o assunto. O advogado defende 12 empresas que foram
autuadas pela Previdência Social no início do ano passado e que
estão contestando as autuações ainda na primeira instância
da esfera administrativa. Nenhuma delas chegou ainda ao Conselho de Contribuintes,
mas quatro já foram apreciadas com decisões favorável ao
fisco. Em dezembro, as empresas recorreram das decisões e aguardam o
julgamento dos recursos. "As primeiras decisões já podem
indicar uma tendência favorável ao fisco", afirma.
Procurada pelo Valor, a Farma, empresa que perdeu o recurso no Conselho de Contribuintes,
disse que ainda não foi comunicada oficialmente da decisão e por
isso não se manifestaria sobre o assunto.
Fonte: http://www.fenacon.org.br/pressclipping/2008/janeiro/ve/ve250108a.htm