'Consumidor ainda não teve benefício', diz Mantega

Adriana Fernandes

Na guerra de números que foi a votação da emenda constitucional que prorrogava a cobrança da CPMF, quem saiu perdendo foi o consumidor. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem ao Estado que o fim da CPMF até agora não teve impacto nos preços. O Ministério da Fazenda está acompanhando a evolução dos preços.

"Pelos nossos acompanhamentos, até agora a extinção da CPMF não teve impacto nos preços. Portanto, sem nenhum benefício para os consumidores", disse o ministro.

Para o governo, a decisão das empresas de não repassar para os preços a redução do custo da CPMF já era esperada. Agora, avalia a área econômica, é hora de os consumidores cobrarem dos empresários que fizeram lobby pelo fim da contribuição a redução dos preços.

Para a Receita Federal, empresários e políticos da oposição, para convencer parlamentares a votarem pela extinção da CPMF, inflaram números, superestimando o impacto da cobrança nas cadeias produtivas no preço final dos produtos. Levantamento da Receita obtido pelo Estado mostra que o impacto do fim da CPMF é, em média, de 1,4% no preço final.

Mas, como a cadeia de produção e o canal de distribuição são diferentes para cada produto ou serviço, o impacto tem bastante variação. "Há diferenças até para o mesmo produto, dependendo de como ele foi comprado", disse uma fonte. É o caso dos automóveis comprados pela internet.

Enquanto a oposição apontava impacto de 6,1% no preço dos automóveis, a Receita calculou peso entre 0,75% e 1,13%. Para a carne, a área técnica calculou entre 1,15% e 1,36% e para o leite, entre 0,86% e 1,01%.

A relatora da emenda da CPMF, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), incluiu na apresentação de seu relatório um levantamento sobre o impacto nos preços do fim da contribuição, com base em estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). No preço do café o impacto calculado foi de 4% e no de computadores, 5,8%. Era de se esperar agora que os preços caíssem na mesma proporção.


Fonte: http://www.fenacon.org.br/pressclipping/2008/fevereiro/estadao/estadao220208.htm