CPI rejeita
requerimento sobre dados sigilosos de cartões; oposição
quer nova comissão
A CPI mista (com deputados e senadores) dos Cartões Corporativos rejeitou
nesta terça-feira, por 11 votos a sete, requerimento apresentado pela
oposição para que a Casa Civil encaminhasse informações
detalhadas sobre o uso dos cartões por integrantes do governo federal,
inclusive as mantidas sob sigilo pelo Palácio do Planalto. Com a derrubada
do requerimento, o DEM ameaça instalar uma nova CPI dos Cartões,
apenas no Senado, para investigar irregularidades nos gastos do governo.
"Aqui, o governo nada de braçada. A gente já viu que aqui
vamos ser tratorados por deputados que vêm para cá fazer palhaçada,
tripudiar na cabeça de companheiros. Só nos restará um
caminho que é aprovar a CPI imediatamente no Senado, onde o governo não
nada de braçada, sem a presença de alguns macacos de auditório",
ameaçou o deputado Vic Pires (DEM-PA).
O PSDB, no entanto, foi mais cauteloso em relação à instalação
da CPI dos Cartões no Senado. O vice-líder do partido, senador
Álvaro Dias (PSDB-PR), disse que o equilíbrio de forças
entre governo e oposição não será muito diferente
se a nova comissão for instalada.
"A correlação de forças no Senado não é
diferente em uma CPI. O que prevalece é a indicação dos
partidos. No plenário há, às vezes, um certo equilíbrio
de forças porque não há dissidências na base do governo.
Na CPI, não há hipótese de dissidência. Temos o dever
de nos apresentarmos à sociedade com absoluta franqueza", afirmou.
Na defesa do governo, o deputado Carlos Willian (PTC-MG) rebateu as ameaças
da oposição. "Nós não aceitamos mais ameaças.
No início, ameaça de que iriam abandonar essa CPI, não
abandonaram, estão aqui trabalhando. Nós não nos amarelamos
com isso, sabemos da nossa responsabilidade, temos compromisso com a população
e os eleitores. Não vamos deixar tripudiar em cima do governo e da comissão."
O deputado Manato (PDT-ES) chegou a trocar farpas com Dias depois que o tucano
disse que os governistas foram "escolhidos a dedo" na comissão
para blindar o Palácio do Planalto nas investigações.
Manato desafiou Dias a renunciar ao seu mandato se for comprovado que ele foi
"escolhido a dedo" para compor a CPI. O tucano, por sua vez, disse
que seu objetivo não foi ofender o colega.
"Eu digo que [os governistas] foram escolhidos a dedo porque obedecem as
orientações do governo. Creio que isso não diminui ninguém.
Não foi uma expressão pejorativa. De forma alguma eu renunciaria
ao meu mandato, eu tenho deveres com quem me elegeu", enfatizou Dias.
Requerimento
No requerimento rejeitado pela CPI, a oposição solicitou o envio
de uma série de informações à comissão pela
Casa Civil, como a quantidade de cartões corporativos expedidos pelo
governo desde 2002; o nome de seus respectivos portadores; a unidade gestora
de cada um dos portadores; o limite disponibilizado por mês para os cartões,
além do detalhamento de gastos mensais de cada cartão e as cópias
das notas fiscais de gastos realizados.
"Esse requerimento, nada mais é, do que pedido de informações
para a Casa Civil", argumentou Vic Pires.
A comissão aprovou uma série de requerimentos, esta manhã,
que foram escolhidos por serem consensuais entre governo e oposição.
A maioria dos requerimentos aprovados prevê o envio de informações
não-sigilosas à CPI por órgãos do governo que controlam
gastos com cartões corporativos.
Na votação do primeiro requerimento polêmico, rejeitado
pelos governistas, os parlamentares da base aliada deixaram claro que não
vão permitir a aprovação de pedidos de quebra de sigilo
dos gastos do governo com cartões corporativos.
Entre os requerimentos aprovados está o de autoria da senadora Marisa
Serrano (PSDB-MS), que prevê o envio de todos os documentos e informações
à comissão que se encontram na Administradora de Cartões
de Crédito Ourocard (Banco do Brasil) relativos às movimentações
financeiras não sigilosas realizadas por titulares dos cartões
corporativos.
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u387853.shtml