O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), confirmou na noite
desta quinta-feira (3) que o partido vai ingressar na próxima segunda-feira
(7), com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo
Tribunal Federal (STF) contra o repasse de recursos da contribuição
sindical para as entidades sindicais.
Segundo Rodrigo Maia, a transferência da contribuição teria
que ter sido feita por proposta de emenda constitucional (PEC) e não
por meio de projeto de lei, medida infraconstitucional, uma vez que a Constituição
proíbe repassas para as centrais.
O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à "fiscalização
das centrais sindicais pelo TCU, sobre a aplicação da arrecadação
da contribuição sindical obrigatória, tornou a Lei, além
de inconstitucional, imoral", enfatizou.
O veto, segundo Rodrigo Maia, "a gente trata no Congresso Nacional. Mas,
a decisão do Presidente [Lula] em deixar as centrais sindicais livres
de fiscalização do órgão competente [TCU] para aplicar
os recursos que arrecada de seus filiados, com contribuição obrigatória
ou não, exacerbou o caráter imoral da relação do
Governo Lula com os sindicatos", afirmou.
Os advogados do Democratas estão preparando a Adin, que será levada
na próxima segunda-feira ao STF, pelo próprio presidente do partido,
deputado Rodrigo Maia (RJ).
Contra o veto
O partido também pretende questionar no Supremo o veto ao artigo 6º
do PL 1.990/07, declarou Rodrigo Maia.
O veto do presidente Lula impede a fiscalização do TCU sobre o
uso que os sindicatos irão fazer dos recursos que passarão a receber,
por meio da contribuição sindical anual. "O Congresso estabeleceu
a fiscalização do TCU", afirma Rodrigo, e o partido quer
manter no texto da Lei 11.648, que regulamentou o funcionamento das centrais.
"O Congresso agiu de forma correta. Como se trata de contribuição
obrigatória, imposta por lei, a cobrança de um dia de salário
do trabalhador (que, agora também, será repassada às centrais
sindicais) se transforma em um tributo. E todo tributo tem de ter a aplicação
fiscalizada. Além do mais, até sindicalistas concordam em um ponto:
o veto do presidente Lula beneficia a banda podre dos sindicatos", enfatizou
o presidente do Democratas.
Anti-sindical
Trata-se de uma ação anti-sindical do Democratas, pois neste momento
que o movimento sindical constrói uma agenda de ação unitária
em defesa dos trabalhadores pela redução da jornada de trabalho,
pela aprovação das convenções 151 e 158 da OIT,
entre outros temas importantes, essa ação oposicionista nada mais
é que uma tentativa de envergar e enfraquecer as entidades dos trabalhadores.
Se se concretizar esse intento, caberá às entidades sindicais
- sindicatos, federações, confederações e centrais
- atuarem em conjunto, como já estão fazendo, para derrotar essa
atitude diversionista, que ao fim e ao cabo só tem um objetivo - asfixiar
o movimento sindical. (Marcos Verlaine)
Fonte: http://diap.ps5.com.br/content,0,1,80690,0,0.html