Centrais sindicais, associações de classe, dezenas de entidades
civis e congressistas de vários partidos lançam hoje, na Câmara,
a Frente Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Os membros da frente pretendem
colocar na pauta de votação a Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) 438, que criminaliza os produtores rurais responsáveis pela contratação
de camponeses sem a observância de todas as exigências trabalhistas.
Apresentada em 1991 pelo então senador Ademir Andrade (PSB/PA), a emenda
altera a redação do artigo 243 da Constituição,
acrescentando o flagrante de trabalho escravo como um dos motivos para a expropriação
da fazenda, como ocorre com quem cultiva plantas psicotrópicas como maconha
ou coca. Pela proposta, a fazenda expropriada em razão do trabalho escravo
seria destinada à reforma agrária, assim como as benfeitorias
das fazendas.
O texto já foi aprovado em dois turnos no Senado e em primeiro turno
na Câmara. Falta, agora, uma votação de deputados, são
necessários 308 votos para ser aprovada.
"O trabalho escravo transformou-se em uma questão econômica,
já que os importadores de produtos brasileiros passaram a exigir o cumprimento
da legislação para que possam comprar carne, madeira ou etanol",
comentou a presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho,
Rosa Campos Jorge.
Desde 2003, as equipes do Ministério do Trabalho libertaram cerca de
25 mil trabalhadores escravizados em todas as regiões do país.
O crime se concentra nos estados do Pará, Mato Grosso e Tocantins, mesmas
regiões onde foi detectado um aumento nas áreas desmatadas da
Amazônia Legal.
Apesar de a PEC estar pronta para a votação, a bancada ruralista
no Congresso conseguiu impedir até agora a aprovação final
da emenda. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), prometeu
colocar a proposta em pauta ainda neste semestre. Mas os líderes do PP,
Mário Negromonte (BA), e do PTB, Jovair Arantes (GO), não conseguem
autorização das bancadas para topar a votação em
plenário.
Os mais resistentes são os deputados Ronaldo Caiado (DEM/GO), Abelardo
Lupion (PP/PR) e Nelson Marquezelli (PTB/SP), grandes produtores rurais. Eles
não concordam com a expropriação das fazendas onde exista
trabalho escravo.
A frente vai ser lançada hoje, no salão verde da Câmara,
às 15h30. (Fonte: Correio Braziliense)
Fonte: http://diap.ps5.com.br/content,0,1,81622,0,0.html