Dólar volta a cair; Risco Brasil recua 2,9%

O temido derretimento do dólar, com a possível enxurrada de recursos estrangeiros para o Brasil, agora detentor do título de grau de investimento, continuou ontem. A moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 1,65 para venda, com baixa de 0,78%. Foi o menor patamar desde 11 de maio de 1999. A queda só não foi maior devido à confirmação, pelo Ministério do Desenvolvimento, de que o saldo da balança comercial nos primeiros quatro meses do ano despencou mais de 60% ante o registrado no mesmo período de 2007.

O bom desempenho da balança vinha sendo fundamental para o equilíbrio das contas externas do país, que, agora, registra rombos crescentes - foram mais de US$ 10 bilhões apenas entre janeiro e março.

Até a divulgação do resultado da balança, a baixa do dólar passava de 1%. E nem mesmo o leilão de compra da divisa realizado pelo Banco Central havia conseguido conter a valorização do real. "Tudo levava a crer que o desabamento do dólar seria maior do que o verificado no fim do dia", afirmou Alexandre Marques Filho, analista da Elite Corretora.

"Mas o mercado se ajustou à realidade das contas externas", ressaltou. Apesar desse ajuste, parte relevante dos especialistas acredita que o dólar possa ser negociado até a R$ 1,55 nas próximas semanas, caso se confirme os fluxos maiores de recursos para o Brasil, atraídos pela chancela da agência de risco Standard & Poor's (S&P).

Inflação
Principal analista da S&P para o Brasil, Lisa Schineller disse acreditar que, ao longo do ano, a tendência é de o real perder força frente ao dólar, por causa do déficit nas contas externas, que, pelas contas do mercado, deverá superar os US$ 20 bilhões neste ano. A previsão é de que a moeda encerre dezembro valendo R$ 1,75, o que significaria uma alta de 6,1% sobre o atual nível de preço.

Nada que possa pressionar a inflação, diante da continuidade do aumento da taxa básica de juros (Selic), que deve totalizar dois pontos percentuais, já incluindo o ajuste de 0,5 ponto feito há duas semanas pelo BC. Ou seja, a Selic encerrará o ano em 13,25%, segundo Lisa.

No exterior, aos poucos, o dólar vai recuperando o fôlego. Apoiada nos indicadores do mercado de trabalho dos Estados Unidos (foram cortadas 20 mil vagas em abril contra 75 mil esperados pelos analistas), a moeda americana subiu 3,6% em relação ao euro, a maior alta desde março. Foi o segundo dia consecutivo de valorização.

Risco Brasil
Um dos principais termômetros do humor dos investidores estrangeiros, o risco Brasil, recuou ontem 2,9%, para 201 pontos. Desde quarta-feira, quando a Standard & Poor's elevou o país à condição de grau de investimento (investment grade), o indicador já caiu 10,6%. Há quem acredite no mercado que, até o final deste ano, o risco-país esteja oscilando entre 100 e 150 pontos, acompanhando a mediana das nações com tal chancela das agências de risco. Esse nível será alcançado, sobretudo, se a Fitch Ratings ou a Moddy's seguirem a classificação dada pela concorrente.

O risco Brasil diminuiu mesmo com o principal título da dívida externa, o Global 40, tendo registrado desvalorização de 0,18%. Esse papel é o que tem o maior peso no indicador calculado pelo banco americano JP Morgan.

Quando os títulos da dívida brasileira caem, a tendência é de a taxa de risco subir. E vice-versa. O que ocorreu, na avaliação dos analistas, foi que os demais papéis que compõem o índice apontaram alta. Foi o caso do Global 18, o segundo mais negociado, que avançou 0,06%. "Com o grau de investimento, não há porque o Brasil ter taxa de risco tão elevada", afirmou José Luiz Rodrigues, sócio da Consultoria JL Rodrigues. (Fonte: CB)
Fonte: http://diap.ps5.com.br/content,0,1,81166,0,0.html