......Esfriar os ânimos e reunir na mesa governo e sociedade para traçar
uma nova política tributária para o País. Essa é
sugestão do tributarista Ives Gandra Martins após a derrota do
governo na votação da prorrogação da CPMF no Senado.
Para ele, a votação de ontem foi histórica, pois até
então nenhum o governo havia sido derrotado em matéria tributária
no Congresso Nacional.
Ives Gandra reforçou que um clima de confronto pode atrapalhar o desenvolvimento
do País no próximo ano.
No seu entendimento, "é prudente" fazer alterações
no orçamento, para equilibrar despesa e receita, "mas sem criar
um clima de retaliação". "O que se viu até agora
foi uma política tributária imposta pelo governo. Está
errado. Política tributária se faz com a sociedade. Portanto,
é hora de se pensar na reconciliação", defendeu o
tributarista.
.....Em nota oficial, a Federação do Comércio do Estado
de São Paulo (Fecomércio) afirmou que a perda de recursos deve
ser compensada com cortes nos gastos públicos, racionalidade dos recursos
e até na queda de juros mais agressiva.
Para a entidade, com a extinção da CPMF, os R$ 40 milhões
que o governo perdeu vão estimular o consumo, o que representará
aumento no recolhimento de impostos.
.....Segundo a Fecomércio, a expansão da carga tributária
é a melhor prova. Um exemplo: até agosto deste ano, as receitas
brutas da União atingiram R$ 315,4 bilhões, contra R$ 281,7 bilhões
arrecadados no mesmo período do ano passado, ou seja, um aumento de R$
33,8 bilhões (12%).
Mobilização nacional - A não-prorrogação
da CPMF mobilizou setores da sociedade organizada, entre eles a Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação
Comercial de São Paulo (ACSP), a Fecomércio, a Ordem dos Advogados
do Brasil, seccional São Paulo, e o Sindicato das Empresas de Serviços
Contábeis no Estado de São Paulo (Sescon-SP).
.....O "Xô CPMF", o "Sou contra a CPMF" , o abaixo-assinado
com mais de um milhão de assinaturas encaminhado ao Congresso Nacional
e a Frente Parlamentar contra a CPMF e pela Redução da Carga Tributária,
da Assembléia Legislativa, levaram a discussão do Congresso para
as ruas.
Ao elogiar o fim do imposto, o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges
D'Urso, afirmou que o brasileiro sofre com a carga tributária ( 33,7%
do PIB ano passado) e paga do seu bolso os serviços de saúde e
educação. Já o governo não corta gastos e os impostos
sobem a cada ano.
......"A CPMF se transformou em um tributo delator, uma vez que o Fisco
passou a monitorar a movimentação financeira dos cidadãos
sob a justificativa de combater a sonegação, violando direitos
fundamentais, a despeito de não ser o único instrumento - nem
o mais adequado - para apurar indícios de sonegação",
complementou D'Urso.
......De sua parte, o presidente do Sescon-SP, José Maria Chapina Alcazar,
afirmou que a sociedade desejava livrar-se do tributo. Segundo o presidente,
derrubar o imposto "acabou premiando a perseverança de quem acreditou
na possibilidade de reversão de um quadro que muitos chegaram a considerar
praticamente decidido em benefício da permanência do tributo".
......Aumentar impostos e cortar despesas: de acordo com o economista do Banco
ABN Real, Cristiano Souza, essas são as saídas do governo federal
para se recuperar da perda dos R$ 40 bilhões com o fim da cobrança
da CPMF.
Souza afirma que o governo pode, por exemplo, aumentar a alíquota cobrada
no Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) por meio de uma Medida
Provisória. ......"A MP passaria com a maioria simples mais um voto
e não tem 'noventena' para começar a vigorar. Além disso,
poderia ser elevada também a alíquota da Contribuição
Sobre Lucro Líquido (CSLL). Essa, sim, teria noventena. As duas medidas
trariam aproximadamente R$ 16 bilhões para os cofres públicos",
detalha o economista.
.....Outra sugestão dele é o corte nas despesas das estatais em
todos os níveis. "As medidas são impopulares, mas possíveis",
diz. (SK/NM)
Fonte: http://www.dcomercio.com.br/noticias_online/955774.htm