O Forum Sindical do Trabalho (FST), instituição que reúne
quinze confederações e seis centrais sindicais com representatividade
em todo o território nacional realizou nesta terça-feira (13)
o 1º encontro nacional em defesa da unicidade sindical, do emprego e dos
direitos trabalhistas.
O evento, realizado durante todo o dia no auditório do Americel Hall,
na Academia de Tênis, em Brasília, reuniu trabalhadores de todo
o Brasil em torno de uma agenda unificada de interesse dos assalariados e do
movimento sindical. Ao final do encontro foi aprovada, por unanimidade, a Carta
de Brasília, com resoluções, proposições
e demandas do Forum.
Temas como a estrutura sindical brasileira, a redução da jornada de trabalho, a defesa da ratificação das Convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Previdência Social e os fundos de pensão, a reforma agrária, o meio ambiente e a matriz energética foram discutidos por técnicos, sindicalistas e parlamentares.
Estrutura sindical
A mesa composta para discutir o temário da estrutura sindical brasileira
contou com a participação do membro do corpo técnico do
DIAP, o advogado Hélio Gherardi. Também participaram dos debates
o coordenador do Centro de Estudos Sociais e Sindicais, Altamiro Afonso Borges,
e o superintendente da Fenaban, Magnus Ribas Apostólico.
Inicialmente, Gherardi destacou o trabalho do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar que é a defesa dos interesses dos trabalhadores e do movimento sindical. Gherardi concentrou sua palestra na análise da Portaria 186 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que revoga portarias que estabeleciam regras para o registro de federações, confederações e sindicatos.
"Em relação aos sindicatos houve melhoria no sentido de o processo [pedido de registro sindical] não ficar parado". E continou: "a possibilidade de autocomposição também é positiva", disse.
Gherardi também destacou que os artigos de 20 ao 22 da portaria são uma grave ameaça ao movimento sindical por apresentar a pluralidade sindical, uma violação à Constituição federal e omissão das federações que existem há muito tempo. "O FST já elaborou um documento para que o MTE revogue os respectivos artigos, do contrário será feito um pedido ao Congresso Nacional e se este Poder não resolver, o Judiciário poderá ser convocado a apreciar a questão", disse.
Lucro, mídia e defesa contribuição assistencial
O coordenador do Centro de Estudos Sociais e Sindicais (CES), Altamiro Borges,
destacou em sua participação a alta lucratividade que das empresas
que não é repartido com os trabalhadores.
Altamiro também constatou que as novas tecnologias não propiciaram a redução da jornada de trabalho e a geração de mais empregos, que estão no momento mais propício para discussão e aprovação.
Quanto à mídia, "grande direita do Brasil", Altamiro
fez questão de ler a manchete de matéria do jornal Folha de S.
Paulo que afirma: "Era do movimento sindical no Governo Lula" que
busca desqualificar todo o sindicalismo brasileiro.
Altamiro também defendeu o entendimento de que a Portaria 186 é
um perigo para o movimento sindical por abrir brecha para o aprofundamento do
pluralismo sindical.
Por último, o coordenador do CES disse que "nenhum lugar do mundo
existe apenas a contribuição voluntária. Se querem acabar
com a contribuição compulsória, que acabem com algum outro
imposto que não fragilize e asfixie o movimento sindical", defendeu.
Fonte: http://diap.ps5.com.br/content,0,1,81360,0,0.html