Governador
de Alagoas quer cortar repasse para a Assembléia Legislativa
O governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), encaminhou ontem um
projeto de lei à Assembléia do Estado que reduz em cerca de 27%
os repasses mensais para o Poder Legislativo ainda neste ano.
De acordo com o projeto, o governo quer reduzir o orçamento da Assembléia
dos R$ 113,4 milhões atuais para R$ 82,78 milhões. A diferença
--R$ 30,6 milhões-- deverá ser destinada para as áreas
de segurança pública, saúde, ambiente, cultura e a reforma
do estádio Rei Pelé, em Maceió.
O secretário Álvaro Machado, chefe da Casa Civil, disse que a
proposta de corte foi motivada pelo descumprimento do limite da Lei de Responsabilidade
Fiscal para gastos com pessoal pela Assembléia em 2007 e pelo anúncio
de corte dos servidores contratados irregularmente feito em fevereiro pela Mesa
Diretora da Casa.
"Estes recursos economizados vão ser pleiteados para atenderem aos
que mais precisam, o sofrido povo alagoano", disse Machado.
Para o secretário, o não-cumprimento da LRF novamente em 2008
poderá provocar sanções ao Estado.
Há três semanas, os deputados estaduais derrubaram o veto do governador
às emendas individuais incluídas por eles na Lei Orçamentária
do Estado. Ou seja, conseguiram incluir novamente as emendas parlamentares no
orçamento.
Além disso, a Polícia Federal investiga um suposto esquema de
desvio de dinheiro da Assembléia Legislativa alagoana por meio de pagamento
de funcionários fantasmas, entre outras irregularidades.
Segundo Machado, a proposta de redução do orçamento não
foi motivada diretamente pela investigação da PF, mas foi levada
em conta a promessa de exoneração dos servidores irregulares feita
pela Casa após a investigação da PF. Machado negou que
o corte tenha sido uma retaliação à derrubada do veto pelos
deputados.
Segundo o texto do governador enviado para a Assembléia, o Balanço
Geral Anual do Estado de 2007 revelou que a Casa gastou no ano passado R$ 89,4
milhões com pagamento de pessoal, sendo que a previsão inicial
era de R$ 50,1 milhões.
Por outro lado, o Balanço Geral mostrou que a Assembléia Legislativa
usou um terço do valor fixado para seu custeio e um sexto do valor destinado
a despesas de capital.
A reportagem não conseguiu falar ontem com o presidente interino da
Assembléia, deputado Alberto Sextafeira (PSB).
O valor do novo repasse foi calculado com base nos gastos do Legislativo em
2007 para custeio e gastos de capital. O gasto de pessoal foi fixado em R$ 63,36
milhões, teto permitido pela LRF para o Legislativo estadual, equivalente
a 2% da Receita Corrente Líquida do Estado.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u387652.shtml