Governo
corre para salvar emendas da base
Às vésperas das eleições municipais, o Palácio
do Planalto corre para salvar R$ 6 bilhões em emendas parlamentares individuais
e coletivas, vetadas no Plano Plurianual (PPA). Já conseguiu, por meio
de dois projetos de lei, recuperar R$ 2,1 bilhões previstos no Orçamento
deste ano para emendas individuais --76,5% delas são de congressistas
da base.
Agora, deputados e senadores aguardam decreto do presidente Lula para assegurar
outras 181 que somam R$ 4,1 bilhões. "Os projetos foram enviados
para superar as razões do veto e garantir a execução das
emendas individuais e coletivas", explica o relator do Orçamento
deste ano, deputado José Pimentel (PT-CE).
Congressistas e o governo federal preferiram o caminho mais curto para empenhar
esses recursos. Caberia aos deputados e senadores, numa sessão do Congresso,
derrubar os vetos. Mas, pressionado pela base, o Planalto se antecipou apresentando
dois projetos de lei e determinando ao Ministério do Planejamento que
estruturasse um decreto para recompor as ações vetadas.
Combustível para as disputas municipais, as emendas parlamentares só
podem ser empenhadas se estiverem liberadas no Orçamento e no PPA.
O presidente da Comissão de Orçamento, Mendes Ribeiro (PMDB-RS),
mandou as demandas para o Planejamento na semana passada. O Planejamento não
fixou ainda o valor que será salvo dessa vez, mas confirma estar estruturando
o texto do decreto. A expectativa é que chegue no Congresso na primeira
quinzena de junho, para liberar os recursos antes das eleições.
"Creio que o governo não vai querer criar uma tensão de R$
6 bilhões com o Congresso", disse Ribeiro.
Além de recompor parte dos R$ 4,1 bilhões vetados, os deputados
querem fazer ajustes nas emendas recuperadas. Dos 15 senadores e 79 deputados
federais que tiveram emendas prejudicadas e, posteriormente, salvas, 22 são
da oposição. Nem todos, contudo, foram contemplados com ações
exatamente iguais às apresentada nas emendas.
O presidente da Comissão de Orçamento explica que o Planalto fez
algumas alterações para aplicar os recursos de forma mais ampla.
Nota técnica da liderança do PSDB ressalta as distorções.
"Verifica-se a utilização de dotações genéricas,
caracterizadas como nacional para atender emendas parlamentares que tinham destinação
a localidades específicas", diz o estudo. Entre os tucanos prejudicados
com a medida estão Gustavo Fruet (PR) e Gervásio Silva (SC).
Responsável por negociar essas emendas com o Executivo, o vice-líder
do governo no Congresso, deputado Gilmar Machado (PT-MG), classifica como "coincidência"
o fato de o governo ter salvo, até agora, 76,5% das emendas da base.
Ele diz que o Planejamento prometeu corrigir as alterações, como
verbas aprovadas no Orçamento para construções de trechos
rodoviários substituídas por reforma e manutenção
de trechos já existentes.
"É importante o que está escrito. Uma palavra pode mudar
totalmente o destino do recurso. Até um hífen faz diferença",
avalia o ministro das Cidades, Márcio Fortes. Dos R$ 2,1 bilhões
em emendas parlamentares que o governo já salvou, R$ 1,6 bilhão
são para ações do Ministério das Cidades.
Fortes admite que a liberação dessas verbas envolve uma negociação
política, em especial em ano eleitoral. "O importante é que
as emendas foram restabelecidas. Elas complementam o trabalho do ministério
e expressam as demandas dos pequenos municípios."
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u407764.shtml