Governo
e oposição fecham acordo para manter CPI; comissão terá
acesso a dados sigilosos
Governo e oposição fecharam acordo nesta terça-feira para
dar continuidade aos trabalhos da CPI mista (com deputados e senadores) dos
Cartões Corporativos com o acesso da comissão aos dados sigilosos
do governo federal com os cartões.
A presidente da comissão, Marisa Serrano (PSDB-MS), havia ameaçado
encerrar os trabalhos, mas voltou atrás após os governistas acatarem
o envio de auditorias realizadas pelo TCU (Tribunal de Contas da União)
nos gastos do governo federal com os cartões, inclusive os dados sigilosos.
A base aliada do governo acatou abrir o sigilo dos gastos à comissão
desde que os integrantes da CPI se comprometam em manter os dados reservados.
A oposição, por sua vez, se mostrou de acordo com as condições
impostas pelos governistas para terem acesso aos dados sigilosos.
"Não tem como chegarmos a algumas conclusões se não
houver quebras de sigilos. Dados do TCU, mesmo os sigilosos, poderão
ser vistos pelos deputados e senadores desde que compromisso da manutenção
do sigilo. Elas [despesas] podem ser sigilosas, mas terão que ser investigadas",
afirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).
Além do acesso aos dados sigilosos em posse do TCU, a CPI também
decidiu solicitar ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência
da República a relação dos gastos do governo que poderão
ser mantidos em sigilo e daqueles que devem ser divulgados porque não
comprometem a segurança do Estado. A comissão também vai
solicitar técnicos do TCU para auditarem eventuais irregularidades levantadas
pela comissão.
A CPI decidiu ainda criar quatro sub-relatorias para auxiliar os trabalhos do
relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). A comissão vai escolher
quatro parlamentares para assumirem as novas sub-relatorias, que serão
divididas em sistematização, fiscalização de gastos,
controle de fiscalização de auditoria e aprimoramento legislativo.
Com o acordo, Serrano adiou para amanhã a votação dos 37
requerimentos de informação e outros 34 de convocações
que estão na pauta da CPI.
Nova CPI
Depois do acordo, os governistas defendem agora que a nova CPI dos Cartões
Corporativos não seja instalada no Senado. "Eu faço um apelo
para que os senadores repensem a intenção de se criar esta comissão.
Queriam criar CPI no Senado porque diziam que esta não ia funcionar.
Quando há entendimento entre base e oposição para sistematizar
trabalhos da CPI, não se faz mais necessário no meu entendimento
uma nova comissão", defendeu o deputado Silvio Costa (PMN-PE).
Agripino afirmou, porém, que o acordo fechado na comissão mista
não prevê que a nova CPI não seja instalada. "Nem tocamos
a hipótese de não se instalar a CPI do Senado, Fizemos acordo
para que esta CPI cumpra os seus objetivos, sem que haja entendimento para a
não instalação da CPI do Senado", disse.
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u392290.shtml