A paralisação dos auditores fiscais do Trabalho, categoria que
fiscaliza o cumprimento da legislação trabalhista e das normas
de saúde e segurança no trabalho, completa hoje 32 dias. Iniciada
no dia 18 de março, a greve tem como conseqüência o fechamento
dos serviços de atendimento a trabalhadores e empresas nas Superintendências
Regionais do Trabalho e Emprego (antigas Delegacias Regionais do Trabalho),
e queda na arrecadação dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS), cujo recolhimento é fiscalizado pelos fiscais
do trabalho. Em 2007, a arrecadação diretamente relacionada à
fiscalização do trabalho superou R$ 1 bilhão.
Todos os dias, nas superintendências, milhares de trabalhadores deixam
de ser atendidos em plantões de orientação fiscal, fiscalizações
indiretas do FGTS, homologação de rescisões contratuais,
mediação de conflitos trabalhistas entre patrões e empregados.
Internamente também estão suspensas as análises de acidentes
de trabalho e de multas e recursos. A categoria mantém 30% do efetivo
de prontidão para atender casos de urgência, como acidentes de
trabalho, interdição de máquinas e embargos de obras que
ofereçam risco à vida dos trabalhadores.
Também estão suspensas as fiscalizações externas,
de visita às empresas, que regulariza infrações trabalhistas
e contribui para o aumento da formalização de trabalhadores no
mercado. Somente no ano passado, mais de 746 mil trabalhadores tiveram sua Carteira
de Trabalho assinada sob ação fiscal.
Trabalho escravo
A fiscalização do trabalho infantil e do trabalho escravo também
está em escala reduzida. Os coordenadores do Grupo Móvel que fazem
o combate ao trabalho escravo decidiram aderir à greve e somente dois
grupos estão em campo, dos oito atualmente formados. Somente no ano passado
foram resgatados 5.963 trabalhadores, em 114 ações realizadas.
Este ano, de janeiro a março, já são quase mil libertados
do regime da escravidão moderna.
Em todo o Brasil, o efetivo é de cerca de 3.200, sendo pouco mais de
600 na área de saúde e segurança do trabalho. Ainda assim,
o trabalho realizado é muito significativo: em 2007, mais de 849 mil
situações de irregularidades em ambientes de trabalho foram regularizadas,
evitando acidentes e doenças laborais.
Muito mais poderia ser feito se o contingente fosse aumentado. O trabalho de
prevenção ajuda a minimizar gastos da Previdência com benefícios,
aposentadorias e pensões, cujo montante gasto em 2007 foi de 10,72 bilhões,
segundo a própria Previdência Social, que reconhece que o pequeno
número de auditores não atende a demanda da fiscalização
na área de saúde e segurança.
Reivindicações
Os auditores fiscais estão em greve por melhores condições
de trabalho nas Superintendências (veículos para fiscalizações
rurais, equipamentos de informática adequados ao trabalho, instalações
para atendimento ao público), concurso público para auditores
e servidores administrativos, paridade de salários entre ativos e aposentados,
equiparação entre carreiras de Estado.
As negociações com o governo - Ministério do Planejamento
- começaram no ano passado, em agosto, quando a pauta de reivindicações
conjunta com os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (as duas carreiras
são regidas pela Lei 10.593/02) foi entregue.
Em outubro, o Governo começou a fazer propostas que não se mantiveram,
sendo sucessivamente rebaixadas e as reuniões não apresentaram
mais avanços. A categoria aprovou o indicativo de greve em novembro e
esperou até março por uma proposta concreta dos negociadores,
mas ela não veio. Diante do impasse, os auditores decidiram deflagrar
a greve.
Uma reunião de negociação chegou a ser feita durante a
greve, mas a proposta apresentada foi rejeitada pela categoria em nível
nacional. A decisão foi comunicada ao governo, com indicações
de que seria necessário antecipar o calendário do reajuste, proposto
para parcelas até julho de 2010. O governo, até agora, não
deu sinal de que quer negociar. Por isso, a categoria se mantém em greve,
completando um mês de paralisação, a maior de toda a história
da Fiscalização do Trabalho.
Em todo o Brasil os auditores fiscais que ocupam cargos de confiança
estão colocando os cargos em à disposição e a adesão
à greve cresce nas gerências no interior dos estados.
Fonte: http://diap.ps5.com.br/content,0,1,80942,0,0.html