Lula rejeita proposta para governo editar duas MPs por mês

da Folha Online

 

Após horas de negociação com o Executivo em torno da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que muda o rito das medidas provisórias, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o relator da proposta, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), apresentaram uma saída para obter o apoio da oposição: um compromisso do governo de editar no máximo duas MPs por mês (a média atual é de cinco), informa nesta quarta-feira o "Painel" da Folha, editado por Renata Lo Prete (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL).
Segundo a coluna, a proposta então foi levada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mandou avisar: nem pensar. Ele rejeita um teto por achar que isso engessaria o governo em situações emergenciais, mas, principalmente, porque não aceita negociar "na base do ultimato". Se a oposição insistir nisso, o Planalto pode orientar a base a simplesmente não votar a proposta.
Ontem, Lula disse que é "humanamente impossível" governar sem medida provisória porque dá mais agilidade às decisões.
Em entrevista após cerimônia de lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em Campo Grande (MS), o presidente lembrou que as medidas provisórias foram criadas em substituição ao decreto-lei.
"Qualquer deputado, qualquer senador sabe que é humanamente impossível governar se não tiver medida provisória, porque o tempo e a agilidade que as coisas custam a acontecer muitas vezes é mais rápido que as decisões democráticas que são necessárias acontecer no Congresso Nacional", afirmou Lula.
O presidente afirmou que o fato de a Câmara e o Senado debaterem a tramitação das medidas provisórias é porque os parlamentares querem encontrar uma forma "de compatibilizar as necessidades do governo e as necessidades da própria tomada de decisão do Congresso Nacional".

 

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u383594.shtml