Normas para
auditorias também terão convergência
Graziella Valenti
O processo de convergência contábil do Brasil aos padrões
internacionais é mais amplo do que parece. Não apenas as regras
da contabilidade passarão por um alinhamento às normas globais,
como também as práticas das auditorias. O Instituto dos Auditores
Independentes do Brasil (Ibracon) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC)
estão à frente de um processo de convergência das normas
brasileiras às internacionais, emitidas pela Federação
Internacional de Contadores (IFAC).
Tanto o Ibracon como o CFC já são membros do IFAC. As regras brasileiras
contêm basicamente as mesmas diretrizes que as emitidas pelo órgão
global. Entretanto, o que deve ocorrer, especialmente, é um maior alinhamento.
"As normas brasileiras não alcançam o mesmo nível
de detalhe", explicou Ana María Elorrieta, diretora de assuntos
técnicos do Ibracon e auditora da PricewaterhouseCoopers (PwC), durante
seminário promovido pelo instituto.
As regras para essa atividade regem questões como ética, independência,
sigilo e padrões de atuação, entre outras. Francisco Papellás
Filho, presidente do Ibracon, conta que, nesse mês, os representantes
brasileiros no IFAC receberam do órgão internacional algumas recomendações
para desenvolvimento desse ramo de atividade no país, entre as quais
está, justamente, a convergência das normas.
Ana María explica que o processo todo deve levar mais de um ano, mas
a idéia é ter a convergência concluída para o alinhamento
das práticas contábeis nacionais, até 2010. O trabalho
inclui a tradução das normas do IFAC. O projeto brasileiro segue
em paralelo a uma revisão que o próprio organismo internacional
está realizando internamente.
Harold Monk, professor adjunto de auditoria na Universidade da Flórida
e membro do IFAC, contou que o órgão está revisando todos
os pronunciamentos emitidos, com objetivo de simplificar a linguagem e eliminar
eventuais duplas interpretações. A idéia é tornar
as normas mais acessíveis e, com isso, também ampliar a disseminação
perante pequenas e médias empresas de auditoria. A expectativa é
que esse processo esteja encerrado no fim do ano.
Ana María explicou que não há sentido traduzir as normas
externas nesse momento, sem acompanhar as atualizações geradas
lá fora. "Seria ter o mesmo trabalho duas vezes." Por isso,
no Brasil, a convergência deve terminar apenas em 2009. Até 2010,
quando a migração aos padrões internacionais de contabilidade
estiver vigente, o Ibracon e o CFC pretendem realizar o treinamento dos profissionais
do ramo, preparando-os para o novo cenário.
O treinamento para adequação dos profissionais é ponto
crucial do processo de convergência. Há uma grande quantidade de
auditores em companhias de menor porte, longe da estrutura das multinacionais
desse segmento.
"É natural que companhias menores procurem também empresas
menores de auditoria para contratar", destaca Ricardo Rodil, sócio
da Nexia Auditores Independentes e diretor de desenvolvimento profissional do
Ibracon. Ele aponta a importância do preparo dos profissionais em razão
da atratividade dos ativos brasileiros perante os estrangeiros.
"Antes só as grandes multinacionais faziam negócio aqui.
Agora, empresas internacionais familiares buscam parcerias, joint-ventures e
até aquisições no Brasil." Diante disso, julga essencial
a padronização. "Elas não têm a mesma quantidade
de assessores que as grandes, mas precisam da mesma segurança."
Fonte: http://www.fenacon.org.br/pressclipping/2008/janeiro/ve/ve230108a.htm