Oposição
e governistas tentam politizar depoimento de ex-ministro de Segurança
Institucional
Parlamentares do governo e da oposição tentaram politizar nesta
quinta-feira o depoimento do general Alberto Cardoso, ex-ministro do Gabinete
de Segurança Institucional na gestão Fernando Henrique Cardoso
(PSDB), à CPI dos Cartões Corporativos. Os governistas pressionaram
o general para defender o sigilo nos gastos do Palácio do Planalto com
os cartões, enquanto os poucos deputados de oposição presentes
na CPI defenderam a divulgação dessas informações.
Cardoso evitou tomar partido na discussão, apesar de defender a manutenção
do sigilo em parte dos gastos da Presidência da República. Segundo
o general, o Gabinete de Segurança Institucional não tem influência
política, por isso toma as decisões tecnicamente.
"Não estou aliado a este ou aquele partido. Passei oito anos sem
nunca ter participado de uma reunião partidária. O excelente presidente
Fernando Henrique me deu possibilidade de criar no Palácio do Planalto
um órgão de Estado para tratar de assuntos de segurança
nacional. Nunca ninguém subordinado a mim foi nomeado por indicação
de partidos ou de amigos do presidente", afirmou.
Cardoso defendeu a manutenção do sigilo em gastos da Abin (Agência
Brasileira de Inteligência) e em parte das despesas do Palácio
do Planalto ligadas à segurança do presidente da República.
Segundo o general, o governo teria que analisar "caso a caso" para
distinguir as contas que poderiam ser abertas daqueles que deveriam ser mantidas
em sigilo. "Eu não aconselharia [abrir as contas] enquanto cada
um dos casos não tivesse sido analisado", defendeu.
O deputado Silvio Costa (PMN-PE) disse que o depoimento do general comprovou
que os gastos do Palácio do Planalto devem ser mantidos em segredo.
"Parte da oposição está sendo irresponsável.
Querendo fazer teatro, insiste nessa tese de que o sigilo dos gastos devem ser
quebrados. O senhor hoje foi o maior aliado do governo. O ex-ministro da gestão
FHC disse textualmente que existem contas que não podem ser abertas",
afirmou.
A oposição, por sua vez, argumenta que as investigações
não terão avanços na CPI se os parlamentares não
tiverem acesso aos dados sigilosos referentes às contas do presidente.
Por este motivo, os senadores do DEM e PSDB abandonaram as investigações
na comissão mista depois que a base aliada do governo derrubou sucessivos
requerimentos de quebra de sigilo.
DEM e PSDB esperam ampliar as investigações na CPI dos Cartões
exclusiva do Senado, onde avaliam que terão condições de
enfrentar a 'blindagem' dos governistas sobre o Palácio do Planalto.
Na prática, porém, a oposição terá direito
a somente oito das 11 vagas de titulares na nova comissão.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u390839.shtml