Oposição
promete barrar recriação da CPMF no Senado
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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A oposição promete barrar a recriação da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira) no Congresso se
a base aliada do governo apresentá-la como alternativa para compensar a
chamada emenda 29 (que amplia a destinação de receitas para a saúde).
Líderes do DEM e PSDB afirmaram que a proposta não tem chances de
ser aprovada no Senado, uma vez que a Casa Legislativa foi responsável
por derrotar a prorrogação da CPMF no final de 2007.
"A CPMF não passa no Senado porque não é necessária.
Não podemos colaborar para o aumento da carga tributária. É
só o governo não gastar com bobagens, mas com saúde. O governo
diz que não tem dinheiro para a saúde, mas tem dinheiro para tudo
mais. É cortar gastos e parar com esse jogo", reagiu o senador Arthur
Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado.
O senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado, considerou
"estranho" que o governo tenha discutido a recriação da
CPMF justamente às vésperas da emenda 29 entrar na pauta de votações
da Câmara. "O que o governo quer é embaralhar a aprovação
da emenda 29, não quer ver mais dinheiro para a saúde. Dinheiro,
tem", afirmou.
Na opinião de Agripino, a decisão do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva de deixar para o Congresso Nacional a discussão da nova CPMF
tem como objetivo "tirar do seu colo" um assunto que não tem
o apoio da população. "O governo, quando é matéria
polêmica, cai fora e deixa para o Congresso e quer que a base aliada assuma
responsabilidade. Por que só agora, quando a emenda 29 está na Câmara,
chega a idéia de aumentar impostos sobre bebidas, cigarros e recriar a
CPMF?", questionou.
Durante reunião de coordenação política nesta segunda-feira,
Lula determinou que a discussão sobre a proposta de recriar a CPMF seja
tratada exclusivamente pelo Congresso, sem interferência clara do governo.
A idéia de recriar a CPMF inclui mudanças no valor da alíquota.
Em vez dos antigos 0,38%, a nova cobrança teria uma alíquota de
0,08%. Outra idéia do governo é aumentar a tributação
sobre cigarros e bebidas para financiar a saúde, mas os recursos não
seriam suficientes para compensar a emenda 29.
A emenda que amplia os recursos para a saúde está prevista para
entrar na pauta de votações da Câmara na semana que vem. O
presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que vai apenas cumprir a
promessa firmada com os líderes partidários de colocar a matéria
em votação, sem discutir o mérito da emenda.
Chinaglia responsabilizou o Senado, no entanto, pela aprovação de
projetos que aumentam as despesas do governo sem determinar as fontes necessárias
para compensá-los. Além da emenda 29, os senadores aprovaram o fim
do fator previdenciário e a concessão de reajuste igual ao salário
mínimo para aposentados e pensionistas.
"Talvez o Senado devesse responder de onde vai se tirar esse dinheiro. O
Orçamento, você tem que tirar de uma área e colocar em outra.
O grande debate vai se dar se o aumento de arrecadação, que é
real, é suficiente para dar conta de todas as necessidades", afirmou.
Outro lado
Na defesa de uma alternativa para compensar a emenda 29, o senador Tião
Viana (PT-AC) disse que o Congresso deve assegurar uma fonte "estável"
para o aumento dos recursos para a saúde. Os governistas evitam defender
explicitamente o retorno da CPMF, embora muitos sejam favoráveis ao seu
retorno nos bastidores. Oficialmente, a base aliada apresenta o argumento de que
o Legislativo precisa encontrar mecanismos que cubram as despesas do governo com
a nova emenda.
"A lei complementar à emenda 29 precisa de uma fonte estável,
senão vamos depender da boa vontade do governante A ou B de colocar recursos
para saúde aos seus olhos, e não à necessidade de olhos do
setor. Portanto, discutir uma fonte estável como está posto agora
no parlamento é absolutamente legítimo e temos que ter maturidade
para dar melhor resposta", defendeu.
Na opinião de Viana, "o parlamento é responsável por
assegurar, quando uma aprova lei, uma fonte estável para dar cobertura"
a ela. "Esse debate vai ser travado de maneira muito saudável",
afirmou.
Fonte:/www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u403492.shtml