Oposição
quer integrar sindicância que vai apurar vazamento de suposto dossiê
anti-FHC
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse hoje que
o partido vai reivindicar participação na sindicância instalada
no Palácio do Planalto para apurar o vazamento de informações
que deu origem a um suposto dossiê com informações de gastos
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com cartões corporativos.
Virgílio disse que o partido vai solicitar à Casa Civil da Presidência
da República que um parlamentar tucano acompanhe a sindicância
interna.
O líder argumenta que a participação na sindicância
é "fundamental" uma vez que o partido foi o principal alvo
do dossiê --cujas informações que o compõem teriam
sido vazadas pela Casa Civil. A intenção do PSDB é protocolar
no Palácio do Planalto, ainda nesta terça-feira, requerimento
com o pedido de participação na sindicância.
"A minha convicção é de que houve dossiê e
que esses documentos são públicos. Eu entendi que o ministro Múcio
[José Múcio, de Relações Institucionais] disse que
houve, sim, que houve o dossiê. E alguém vazou criminosamente.
E disse que não era alguém do governo", argumentou Virgílio.
Os governistas, por sua vez, aproveitaram a reunião da CPI nesta terça-feira
para negar a existência de qualquer dossiê anti-FHC. O deputado
Paulo Texeira (PT-SP) argumentou que o governo apenas fez um "banco de
dados" com informações de gastos do ex-presidente com cartões
corporativos.
"Nós refutamos a indicação de qualquer existência
de dossiê. A informação do banco de dados era pública,
o senador Virgílio sabia disso. O Palácio do Planalto está
tomando todas as providências para investigar e punir o servidor que quebrou
o sigilo", argumentou Teixeira.
O deputado Carlos William (PTC-MG) considerou impossível a participação
da oposição na sindicância. "Não existe a menor
hipótese de parlamentar acompanhar essa comissão. Ainda mais de
oposição. Isso não existe. É jogar para a platéia,
fazer pirotecnia."
O deputado Silvio Costa (PMN-PE) chegou a afirmar que "faltou humildade"
ao líder do PSDB para reconhecer que sabia da existência do banco
de dados no Palácio do Planalto.
"Desde 2005, um senador de referência da oposição
[Virgílio] faz pedido de informação e o governo informa
que está construindo um banco de dados. O senador não teve a humildade
de reconhecer que o governo informou que em 2005 tinha um banco de dados. Faltou
humildade ao senador que me antecedeu. A oposição tenta cravar
a palavra dossiê, o governo diz que não existe dossiê e mostra
banco de dados", enfatizou Costa.
Informações
A oposição fez um apelo para que o governo digitalize as informações
que serão encaminhadas à CPI nesta terça-feira com gastos
do Executivo com cartões corporativos --que não incluem as informações
sigilosas reivindicadas pela oposição. A presidente da CPI, senadora
Marisa Serrano (PSDB-MS) teme que "caminhões" de papéis
cheguem à comissão para análise dos parlamentares.
"Eu espero que o interesse dessa casa é que não venham jamantas,
caminhões. Espero que o governo mande em disquete, por meio eletrônico.
Há um requerimento meu nesse sentido", afirmou.
Costa, por sua vez, disse que o governo vai encaminhar mais de duzentas mil
notas fiscais, por isso fica impossível digitalizar todas as informações.
Já o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ironizou
a quantidade de papéis que serão encaminhados à CPI.
"O conjunto de dados está com o governo federal. Era fundamental
que o governo tivesse banco de dados, não caminhões de papel.
O que não se pode é extrair desse banco de dados um dossiê",
disse.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u387827.shtml