ECONOMIA
NACIONAL
Profissionais
liberais pagam mais caro por fim da CPMF, diz analista
....Advogados, médicos e dentistas poderão pagar a conta pelo
fim do imposto do cheque. Segundo o economista Raul Velloso, especialista em
contas públicas, para compensar a perda da arrecadação
da CPMF, o governo deve aumentar impostos que afetam os profissionais liberais.
Entre eles, a Contribuição Sobre Lucros Líquidos (CSLL),
que incide somente sobre pessoas jurídicas e tem alíquota entre
10% e 12% sobre o resultado financeiro, antes da provisão para o Imposto
de Renda.
....Para o advogado tributarista Bruno Gomes, seria "lamentável"
o aumento do imposto para o profissional liberal. Gomes lembra que as pequenas
e médias empresas também descontam o tributo e isso pode resultar
em aumento de preço dos produtos nas prateleiras. A advogada Marta Tancredo
acha que a categoria já paga muito imposto e o aumento teria que ser
repassado para o cliente.
....O advogado David Nigri também teme um reajuste para os profissionais
liberais. Para Nigri, outros impostos pagos por essas categorias também
podem ser alvo do governo, como PIS (Programa de Integração Social)
e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).
Sem reforma
...."Isso não é justo. Mas o governo não tem como
aumentar alíquotas de impostos, como o Imposto de Renda", diz. O
economista Raul Velloso avalia que o governo deve seguir o caminho mais fácil,
aumentando a carga de alguns profissionais em vez de discutir uma reforma tributária.
Velloso criticou a omissão do governo no que diz respeito a corte de
gastos.
....Depois do resultado positivo do Produto Interno Bruto (PIB), Raul Velloso
afirma que a derrota do governo foi um balde de água fria. Para ele,
os investimentos poderão ficar comprometidos e a taxa de juros deverá
crescer novamente.
....O advogado Bruno Gomes estima que o governo deve privilegiar o aumento de
tributos para não comprometer a economia. "O governo vai ter que
compensar a CPMF com aumento de tributos ou corte de gastos. Mas ele está
comprometido com o crescimento e o corte de gastos ficaria mais difícil",
acredita.
Reflexos nos preços para consumidor
....A perda de arrecadação com o fim da CPMF será compensada
pela maior circulação de dinheiro na economia e, conseqüentemente,
pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008. Segundo cálculos
de economistas, os dois fatores, juntos, deverão representar arrecadação
de R$ 36 bilhões no ano que vem, número próximo dos R$
40 bilhões previstos com o recolhimento da CPMF.
....O professor de Finanças do Ibmec São Paulo Ricardo Humberto
Rocha lembra que a incidência de CPMF na cadeia de produção
do feijão, por exemplo, é de 2,6%; na de remédios, superior
a 1%. "Isso vai aparecer nos preços para o consumidor. Se a concorrência
reduz o preço, o outro também vai ter de rever o custo",
afirma.
....O economista Gustavo Franco, sócio-fundador da Rio Bravo Investimentos
e ex-presidente do Banco Central, também não vê o fim da
contribuição como uma catástrofe. Em seu site, o executivo
afirmou que, até outubro, a arrecadação de impostos federais
cresceu R$ 30 bilhões: "Os tributos estão crescendo quase
uma ....CPMF inteira ao ano. Há muita gordura de arrecadação.
A perda não é tão séria".
Fonte: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200712150340_ODI_57225601&idtel=