O PSol decidiu pedir a cassação do mandato do deputado Paulo
Pereira da Silva (PDT/SP), presidente da Força Sindical, por suposto
envolvimento no esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) investigado pela Polícia Federal na
chamada Operação Santa Tereza. O partido entrará com representação
no Conselho de Ética da Câmara na quarta-feira, caso a corregedoria
da Câmara não envie ao órgão o pedido de abertura
de processo contra Paulinho até lá.
"Para nós, do PSol, as evidências de que ele (Paulinho) feriu
a ética e o decoro parlamentar, com obtenção de vantagens
pessoas para si e para terceiros, praticando tráfico de influência
no exercício de mandato, são muito robustas, lamentavelmente",
afirmou o deputado Chico Alencar (PSol/RJ).
A decisão do PSol foi tomada em reunião da Executiva do partido
no final de semana e Alencar espera que outros partidos também assinem
a representação. Reportagem publicada pelo jornal O Estado de
S.Paulo revela que Paulinho teve o seu nome citado no inquérito Santa
Tereza, da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público
Federal, pelo menos 75 vezes e em todas as etapas de investigação.
O corregedor da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR/PE), pretende
concluir rapidamente seu parecer sobre o caso e reiterou na semana passada que
a tendência será encaminhar a investigação para o
Conselho de Ética. Assessores jurídicos da Câmara já
constataram que o deputado pode ser processado mesmo sem provas de seu suposto
envolvimento no esquema, mas por suposta tentativa de constranger ou intimidar
autoridades públicas usando o cargo.
Em conversa por telefone, interceptada pela Polícia Federal, entre Paulinho
e o ex-conselheiro do BNDES Ricardo Tosto, o deputado afirma, segundo relatório
da polícia, que vai "mexer os pauzinhos" no Congresso para
convocar o ministro da Justiça, Tarso Genro, superior hierárquico
da PF, para explicar porque Tosto havia sido preso. Na Câmara, o processo
é disciplinar e não criminal.
O Código de Ética prevê como procedimento incompatível
com o decoro parlamentar, punível com a perda de mandato, abusar das
prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Nacional
(inciso I do artigo 4º do Código de Ética). Sentindo a situação
se agravar, Paulinho tem procurado deputados em busca de apoio político
para enfrentar o processo no conselho.
Com a morte do deputado Ricardo Izar (PTB/SP), no início do mês,
o Conselho de Ética está sem comando. Cabe ao presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT/SP), marcar a data para a eleição do substituto
de Izar. Assim que o conselho instaurar a investigação, acaba
a possibilidade de o processo ser interrompido por renúncia de mandato
do deputado para fugir de uma eventual cassação. (Fonte: AE)
Fonte: http://diap.ps5.com.br/content,0,1,81425,0,0.html