Tesouro
arca com perda de R$ 4 bi em proposta de reforma tributária
Claudia Safatle e Mônica Izaguirre
O projeto de reforma tributária que o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
apresenta hoje ao Conselho Político, em reunião no Palácio
do Planalto, terá uma série de medidas de desoneração.
A principal será a redução da alíquota de 20% da
contribuição patronal para o INSS, que pretende desonerar em algo
como 5 pontos percentuais a tributação atual da folha de salário
das empresas. Essa desoneração implicaria numa renúncia
de R$ 4 bilhões do Tesouro Nacional.
Essa redução será feita de forma gradativa num prazo de
transição de cinco a seis anos. Outra idéia que é
polêmica, mas consta da proposta da Fazenda, é a eliminação
da cobrança do salário-educação de 2,5% que incide
sobre a folha e cuja receita é vinculada ao financiamento do ensino fundamental.
Dada a reação do Ministro da Educação, Fernando
Haddad, a essa proposta, não está garantido que a medida seja
aprovada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Outras desonerações de IPI para investimentos e exportações
estarão no projeto de emenda constitucional, para efeito da nova política
industrial. Quando o Congresso Nacional derrubou a CPMF e subtraiu R$ 40 bilhões
de receitas do governo, o ministro anunciou que retiraria da sua agenda, por
prazo indeterminado, as desonerações de investimentos e, de forma
indireta, das exportações, num total de cerca de R$ 6 bilhões,
por falta de recursos para financiá-las.
Diante da performance exuberante da arrecadação de impostos nestes
primeiros dois meses do ano - " no mesmo ritmo que vinha, segue",
comentou uma fonte oficial - Mantega decidiu incluir essas propostas no texto
da reforma, dando a ela uma pitada importante de redução da carga
tributária.
Atualmente, a carga de impostos cobrada na folha salarial das empresas chega
à casa dos 36%, quando somados os gastos com o INSS, salário-educação,
seguro de acidentes de trabalho e o sistema "S". Mantega pretendia
reduzir esse percentual em até 7 a 8 pontos percentuais, de forma gradual,
e, no caso do salário-educação, a idéia era transferir
a responsabilidade pelo financiamento do ensino fundamental para outras fontes
do Orçamento da União. Ontem, em reunião com o grupo de
Trabalho da reforma tributária do Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social, o secretário de Política Econômica, Bernardo Appy,
adiantou que a extinção da contribuição do salário
educação está de pé e fará parte do projeto,
conforme relato do presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil,
Antônio Neto. Appy só adiantou essa proposta, mas disse aos presentes
que o projeto de reforma tributária "vai ser melhor do que se espera,
vai surpreender a todos", contou Antônio Neto
O projeto de emenda constitucional da reforma tributária proporá
a fusão do PIS/Pasep, Cofins e da Cide no Imposto sobre Valor Agregado
(IVA) federal. Já o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) continuará
existindo porque é nele que se baseiam muitos dos principais incentivos
fiscais à indústria hoje em vigor.
O novo IVA federal deverá ser cobrado a partir de 2010. A proposta, que
será enviada ao Congresso no dia 28, - prevê ainda a substituição
da Contribuição Social sobre Lucro Líquido e do atual Imposto
de Renda da Pessoa Jurídica por um novo tributo sobre a renda das empresas.
As 27 legislações do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) serão unificadas. Também
as alíquotas do ICMS serão unificadas por produto e não
haverá mais a cobrança do tributo nas operações
interestaduais. Isso implicará transferir para o estado de destino uma
receita que hoje fica com o Estado produtor da mercadoria; Segundo informou
Appy, na reunião de ontem, a alíquota interestadual, hoje de 12%
ou 7%, será zerada ao final de oito anos a contar da aprovação
da reforma. Nos dois primeiros anos ficará igual, a redução
se dará gradualmente a partir do início do terceiro ano. Haverá
um fundo de compensação para neutralizar eventuais perdas de um
estado para outro. Segundo informações de fontes oficiais, a União
bancará a formação desse fundo assim como a implantação
da nota fiscal eletrônica em todo o país, pois será ela
que dará condições de se saber, efetivamente, se um estado
estará perdendo receitas em função da mudança do
ICMS da origem para o destino.
Não haverá qualquer alteração na tributação
das pessoas físicas nem nos impostos regulatórios, como o IOF
e o Imposto de Importação. O governo também não
pretende tentar recriar a CPMF nem qualquer tributo sobre movimentação
financeira mediante esse projeto. A intenção de Mantega é
tirar esse assunto da gaveta, onde se encontra há mais de uma década
e fazê-lo andar. Na semana que vem o ministro terá reuniões
com as entidades empresariais e de trabalhadores para mostrar o texto.
FONTE: http://www.fenacon.org.br/pressclipping/2008/fevereiro/ve/ve210208b.htm